06/08/2020

Fungos produzem infecções graves em diferentes hospitais

Com informações da Agência Fapesp
Fungos infecções graves em diferentes hospitais
Presentes no intestino humano, espécies de Candida podem causar infecções de corrente sanguínea em pacientes internados em UTI.[Imagem: Arnaldo Lopes Colombo]

Aglomerados de fungos

Um grupo de pesquisadores do Brasil, Itália, Espanha e Dinamarca analisou um total de 884 amostras de fungos do gênero Candida, coletadas em 16 hospitais, e encontrou um número significativo do que chamam de aglomerados presentes em mais de um hospital.

Os aglomerados são conjuntos de isolados de fungo que apresentam sequências de DNA idênticas. A descoberta pode ser um indicativo da presença de variedades mais virulentas e resistentes a tratamentos.

Fungos como as leveduras do gênero Candida fazem parte da biota do intestino humano e não causam qualquer problema quando o organismo está em bom funcionamento. Porém, quando há algum desequilíbrio por conta de doenças crônicas e internação para a realização de diversos procedimentos terapêuticos por tempos prolongados, elas podem entrar na corrente sanguínea e causar infecções graves, potencialmente mortais.

A candidemia, como é chamada a infecção por Candida em corrente sanguínea, ocorre principalmente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs), bem como em pacientes submetidos a transplantes de órgãos e tratamento de alguns tipos de câncer, como leucemia.

"Num momento em que há muitas internações de pacientes graves, é preciso monitorar com ainda mais atenção as possíveis fontes de infecção. Apenas a título de exemplo, no momento atual, onde temos um grande número de pacientes críticos com covid-19, esta é uma complicação para a qual o sistema de saúde deve estar alerta. Esses pacientes demandam de duas a três semanas de internação em unidades de terapia intensiva, expostos a antibióticos, medicamentos imunomoduladores, procedimentos médicos invasivos e hemodiálise," disse o professor Arnaldo Lopes Colombo, da Escola Paulista de Medicina e único coautor brasileiro do estudo.

Fungos em hospitais

Os pesquisadores analisaram 884 amostras dos 16 hospitais, nas quais identificaram 723 genótipos de três espécies: Candida albicans (534 amostras), C. parapsilosis (282) e C. tropicalis (68).

A boa notícia é que o Hospital São Paulo, da Unifesp - único representante brasileiro do estudo - não se diferenciou muito de países desenvolvidos na frequência de formação de aglomerados.

Todos os hospitais envolvidos no estudo possuem programas para evitar infecções hospitalares, o que em tese deveria reduzir o número de infecções cruzadas entre pacientes. No entanto, foi encontrado um total de 78 (11%) isolados formando aglomerados (amostras de mesmo perfil genético infectando diferentes pacientes). A maioria (45 ou 57%) não ocorreu em mais de um hospital ao mesmo tempo, mas uma pequena proporção do total de genótipos encontrados (52 ou 7,2%) foi encontrada em diferentes hospitais, sendo 21 na mesma cidade e 31 em cidades diferentes.

Futuramente, os pesquisadores farão a análise do genoma completo de uma parte das amostras, a fim de confirmar a semelhança genética dentro dos aglomerados e aperfeiçoar a metodologia para estudos genéticos de Candida. Além disso, eles estudam o que torna as cepas que formam aglomerados tão virulentas, a fim de desenvolver tratamentos mais eficazes.

"Estamos observando que as cepas envolvidas em episódios de aglomerados apresentam maior capacidade de produção de biofilme, uma matriz extracelular que serve para aderir a superfícies e se proteger do ambiente inóspito - nesse caso, o sistema imune humano," disse Colombo.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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