12/01/2026

Genes não explicam cegueira hereditária, comprovam cientistas

Redação do Diário da Saúde
Genes não determinam o destino da cegueira hereditária, comprovam cientistas
Doenças genéticas raras, como as degenerações retinianas hereditárias, não são monogenéticas como se pensava (esquerda); em vez disso, são necessários modificadores genéticos ou ambientais adicionais para que a doença se manifeste (direita).[Imagem: Kirill Zaslavsky et al. - 10.1016/j.ajhg.2025.11.015]

Exageros dos geneticistas

Lembra-se das velhas discussões sobre "gene disso e gene daquilo", em que genes individuais são associados a problemas de saúde?

Mostrando mais uma vez que a ligação entre genes e doenças é mais complexa do que isso, cientistas demonstraram agora que doenças genéticas raras, como as degenerações retinianas hereditárias, não são monogenéticas como se pensava - na verdade, são necessários modificadores genéticos ou ambientais adicionais para que a doença se manifeste.

Os dados mostraram agora que genes que se acreditava causarem degenerações retinianas hereditárias com 100% de certeza levaram à doença em menos de 30% dos casos.

Estes resultados desafiam a compreensão tradicional da genética das doenças hereditárias da retina e outras doenças genéticas raras, podendo ter implicações para o uso clínico de testes genéticos e o desenvolvimento de novos tratamentos, dizem os pesquisadores.

Viés de seleção

Por mais de um século, um paradigma central na genética tem sido o de que doenças hereditárias raras, frequentemente chamadas de "doenças mendelianas", devido às descobertas de Gregor Mendel (1822-1884), são causadas por erros em genes individuais. Esse paradigma foi sustentado por décadas de estudos em pacientes e famílias afetadas por diversas doenças genéticas, incluindo as distrofias hereditárias da retina, que são a principal causa de cegueira em adultos. Assim como outras doenças mendelianas, acreditava-se que essas doenças da retina fossem monogênicas, com alterações em um único gene sempre levando ao mesmo distúrbio físico.

"Nosso estudo indica que o número de pessoas na população geral com variantes genéticas ligadas a distúrbios hereditários da retina é muito maior do que se pensava anteriormente, e a penetrância populacional desses genes é marcadamente menor do que a tradicionalmente assumida," disse o professor Eric Pierce, da Escola de Medicina de Harvard (EUA). "Essas descobertas são impressionantes e sugerem que o paradigma tradicional das doenças mendelianas precisa ser atualizado."

A equipe acredita que, como a maioria dos estudos genéticos ocorre em clínicas e inclui indivíduos e famílias já afetados pela doença, esses estudos podem inflar as estimativas de ocorrência da doença. Essa hipótese é conhecida como viés de seleção - ou seleção inadvertida das variantes genéticas mais penetrantes e dos indivíduos geneticamente mais suscetíveis. Este panorama está mudando com o surgimento de grandes biobancos voluntários, que interligam dados genéticos e clínicos, oferecendo novos recursos para estudos genéticos e viabilizando abordagens mais imparciais para o estudo da genética de doenças raras do que os métodos historicamente utilizados, tirando ainda mais força do paradigma do "gene que causa doença".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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