14/05/2026

IA supera médicos no pronto-socorro, mas humanos ainda são necessários

Redação do Diário da Saúde
IA supera médicos no pronto-socorro, mas humanos ainda são necessários
"Costumávamos avaliar os modelos com testes de múltipla escolha; agora eles estão consistentemente obtendo pontuações próximas a 100% e não conseguimos mais acompanhar o progresso porque já atingimos o limite máximo," disse um dos pesquisadores.[Imagem: Kabeer/Pixabay]

IA supera médicos

Um avançado programa de inteligência artificial - modelo de linguagem de grande escala (LLM) - superou médicos humanos em tarefas comuns de raciocínio clínico, incluindo decisões de emergência, identificação de diagnósticos prováveis e escolha dos próximos passos no manejo de pacientes.

A conclusão é de um grande estudo feito por médicos e cientistas da computação de diversas universidades dos EUA e publicado pela renomada revista Science.

Os resultados, porém, não significam que sistemas de IA estejam prontos para praticar medicina sozinhos, embora o estudo criterioso levante questões urgentes sobre como avaliar e implementar ferramentas de inteligência artificial na prática clínica.

Há mais de 65 anos existe um padrão ouro de casos clínicos de difícil diagnóstico para avaliar sistemas computacionais em medicina. Embora LLMs já houvessem superado abordagens computacionais anteriores nesses casos complexos, a maioria dos estudos médicos examinou cenários estreitos ou altamente controlados, muitas vezes sem comparação direta com o desempenho de médicos humanos em tarefas de raciocínio clínico do mundo real.

Para preencher essa lacuna, Peter Brodeur e uma equipe de 25 cientistas avaliaram as habilidades de diagnóstico e planejamento terapêutico de um LLM da série OpenAI o1, comparando seu desempenho ao de centenas de médicos e sistemas de IA anteriores em uma série de tarefas, incluindo casos clínicos padronizados e um estudo com pacientes reais de pronto-socorro selecionados aleatoriamente em um grande centro médico do estado de Massachusetts.

Médicos são superados

Os resultados mostraram que, em todos os seis experimentos, o LLM igualou ou excedeu o desempenho dos médicos humanos em raciocínio diagnóstico e de manejo.

A vantagem foi mais pronunciada na triagem inicial do pronto-socorro, onde os médicos precisam tomar decisões rápidas com informações mínimas. Tanto humanos quanto IA melhoraram à medida que mais dados clínicos ficavam disponíveis, mas o modelo demonstrou uma força distinta sob condições de incerteza, utilizando eficazmente até mesmo dados fragmentados e não-estruturados do prontuário eletrônico.

Com a IA, os pacientes foram sempre beneficiados.

Médicos ainda são necessários

Os pesquisadores enfatizam, no entanto, que os resultados não significam que sistemas de IA estejam prontos para praticar medicina por conta própria. O estudo concentrou-se apenas em raciocínio baseado em texto, enquanto a prática clínica depende fortemente de pistas visuais e auditivas, áreas em que a IA atual ainda é menos capaz.

Além disso, a precisão em uma tarefa definida é apenas uma dimensão da prontidão para implantação - a IA clínica também precisa entregar resultados equitativos, custo-efetivos e seguros, apoiados por responsabilidade, transparência e monitoramento contínuo. Sem eficácia, equidade e segurança demonstradas, alertam os especialistas, muitos sistemas de IA permanecerão insuficientes para uso clínico.

No entanto, os resultados indicam que ferramentas de IA - quando usadas em colaboração com as avaliações dos médicos - já pode ser usada para reduzir erros de diagnóstico, atrasos no atendimento e na determinação de procedimentos, e disparidades no acesso ao cuidado médico.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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