20/11/2020

IPEN vai entrar no campo da pesquisa médica contra o câncer

Com informações da Agência Fapesp
IPEN vai entrar no campo da pesquisa médica contra o câncer
O IPEN está criando um laboratório de padrão internacional, que associa nanotecnologia à radiofarmácia. O objetivo é desenvolver novos produtos, principalmente para o tratamento do câncer. [Imagem: E. R. Paiva/IPEN-CNEN]

Radiofármacos

O IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) produz atualmente cerca de 90% dos radiofármacos utilizados no Brasil.

Radiofármacos são constituídos por moléculas às quais estão associados isótopos radioativos de elementos químicos como o iodo, flúor, tecnécio etc. Dependendo de sua composição, o produto é empregado em exames diagnósticos ou em tratamentos, especialmente do câncer.

A produção regular do IPEN atende a 430 hospitais e clínicas em todo o país. E fornece material para 2 milhões de procedimentos anuais. De 30% a 40% dos produtos são direcionados para atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas a instituição agora quer avançar também na área das pesquisas médicas.

"Estamos criando, pela primeira vez, um espaço específico para a pesquisa. O laboratório encontra-se em fase final de montagem, apesar dos atrasos provocados pela pandemia e pela alta do dólar. Nosso foco é desenvolver novos produtos, associando nanotecnologia à radiofarmácia. Já temos cerca de 50 artigos a respeito, publicados em revistas internacionais de alto impacto," contou o Dr. Marcelo Linardi, pesquisador do IPEN.

Microscópio a laser

Com recursos de R$16 milhões, financiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a instituição já adquiriu equipamentos multiusuários, como um microscópio de última geração (STM-AFM Raman SNOM) e um mamógrafo digital.

"A joia da coroa em matéria de equipamento, adquirido por meio do projeto, é um microscópio a laser com resolução subnanométrica. É o terceiro de seu gênero no mundo todo. Ele possui a mesma resolução do microscópio eletrônico, mas, por não projetar elétrons, não danifica a amostra que está sendo analisada, o que é ótimo para amostras biológicas. Além disso, o feixe de laser pode ser direcionado de várias maneiras, o que possibilita focalizar a amostra sob múltiplos ângulos," contou Linardi.

Destinado à caracterização de materiais, o novo microscópio a laser vai contribuir para o desenvolvimento de duas áreas-chave de atuação do IPEN: a da radioarmácia e a da braquiterapia.

Braquiterapia e nanobraquiterapia

O prefixo grego "braqui" refere-se a curta distância. É o oposto de "tele", que quer dizer longa distância. Em termos terapêuticos, a braquiterapia possui uma grande vantagem comparativamente à radioterapia externa porque, na radioterapia externa, todos os tecidos que estão no caminho entre a saída do feixe de radiação e o local de interesse podem ser danificados pela radiação, enquanto na braquiterapia a fonte de radiação vai diretamente ao ponto - o que minimiza os efeitos colaterais indesejáveis.

A associação da nanotecnologia à braquiterapia é um passo ainda mais avançado e sua implementação colocará o IPEN na linha de frente da pesquisa mundial.

"Estamos fazendo algo novo. Além do IPEN, há apenas mais dois institutos trabalhando nessa linha de pesquisa no mundo. Esse novo campo é chamado de nanobraquiterapia. A nanobraquiterapia poupa ainda mais os tecidos sadios, porque, na escala nanométrica, a molécula que contém a fonte radioativa é capaz de atravessar a membrana celular e entrar diretamente na célula cancerígena", explica Maria Elisa Rostelato, que coordena a área do projeto dedicada especificamente à braquiterapia.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL:  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2016 www.diariodasaude.com.br. Cópia para uso pessoal. Reprodução proibida.