14/12/2021

Maioria das descobertas de laboratório da biologia do câncer não são replicáveis

Com informações da New Scientist
Maioria das
Novas regras têm tentado dar transparência aos testes de medicamentos na fase clínica. Os testes de eficácia dos antidepressivos, por exemplo, são regularmente alvo de questionamentos por médicos e cientistas.[Imagem: Cortesia L. Brian Stauffer/UIUC]

Replicação de estudos científicos

Uma investigação que durou oito anos e analisou a confiabilidade das pesquisas pré-clínicas da biologia do câncer descobriu que menos da metade dos resultados publicados em artigos científicos altamente citados podem ser reproduzidos com sucesso.

Existe uma longa discussão no meio científico sobre a necessidade de garantir que os resultados das pesquisas sejam replicados por outros pesquisadores. Até agora, a maioria das críticas vinha sendo feitas às Ciências Sociais, com seus experimentos complexos, mas os experimentos de bancada de laboratório, que deveriam ser criteriosos e facilmente reproduzíveis, parecem sofrer dos mesmos problemas.

O professor Tim Errington, diretor de pesquisa do Centro para Ciência Aberta, na Virgínia (EUA), que chefiou a investigação, conta que o plano original era reproduzir 193 experimentos de 53 artigos científicos. Mas esse conjunto foi reduzido para 50 experimentos de 23 artigos por várias razões.

"Só tentar entender o que foi feito e relatado nos jornais científicos para fazê-los de novo foi muito difícil. Não conseguimos acesso às informações," contou ele.

Menos da metade passou na prova

Os experimentos foram todos estudos de biologia do câncer pré-clínico in vitro ou baseados em animais e não incluíram experimentos genômicos ou proteômicos. Eles foram coletados em artigos científicos publicados entre 2010 e 2012 e foram selecionados por serem todos estudos de "alto impacto" - lidos e amplamente citados por outros pesquisadores.

No total, os 50 experimentos que sobraram incluíram 112 resultados binários de "sucesso ou falha" potencialmente replicáveis.

No entanto, Errington e seus colegas conseguiram replicar os efeitos de apenas 51 deles, ou menos da metade (46%).

Esse quadro é "para abrir os olhos", disse Errington, então a equipe publicou todos os dados sobre os estudos incluídos no Open Science Framework, um site e repositório de dados administrado pelo Centro para Ciência Aberta, para ajudar no compartilhamento de dados. Eles também solicitaram a revisão por pares dos seus métodos de replicação antes que o estudo fosse concluído.

Melhores práticas científicas

Embora a investigação tenha-se concentrado em estudos pré-clínicos (apenas os feitos em laboratório), os problemas de replicabilidade verificados podem ajudar a explicar problemas com estudos em estágios posteriores, os ensaios clínicos, quando os testes são feitos em pessoas. Por exemplo, uma pesquisa anterior da indústria farmacêutica mostrou que menos de 30% da fase II e menos de 50% dos testes de drogas contra o câncer de fase III foram bem-sucedidos.

"Nesse ponto, você já investiu em uma linha muito cara de testes clínicos," explicou o pesquisador. "E, nessa etapa, estão em jogo a esperança, os tratamentos e a vida das pessoas."

Em decorrência de resultados tão alarmantes, o Centro para Ciência Aberta agora está agora iniciando um esforço para tentar mudar a cultura científica, para que os cientistas coloquem mais foco no compartilhamento de dados e que se dediquem a fazer estudos de estágio inicial de boa qualidade, o que poderia evitar os problemas de replicabilidade.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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