15/09/2020

Material para enxertos ósseos e de pele é extraído de esponjas marinhas

Com informações da Agência Fapesp
Material para enxertos ósseos e de pele é extraído de esponjas marinhas
Cientistas criaram uma membrana cutânea e uma estrutura para enxertos ósseos com colágeno de esponjas marinhas.[Imagem: Labetec/Unifesp]

Biossílica

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma membrana para reparo de queimaduras, úlceras da pele e para enxertos ósseos usando colágeno e óxido de silício de origem biológica, ou biossílica.

Esses materiais naturais e biocompatíveis foram extraídos de esponjas marinhas pelas equipes das professoras Ana Cláudia Renno e Renata Neves Granito, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O colágeno foi extraído da espécie Aplysina fulva e a biossílica ativa foi obtida da espécie Tedania ignis.

O colágeno já é um material bastante utilizado para essas finalidades, mas, na maioria dos casos, ela é derivada de tecido de boi ou de porco e os produtos são muito caros. Não há ainda, no mercado, nenhum produto do gênero à base de colágeno marinho.

"No mercado existe uma série de protocolos ou tratamentos para fraturas e úlceras ou queimaduras, mas geralmente ou são muito caros, ou não têm a capacidade adequada de aceleração dos processos de reparo e regeneração. Começamos a procurar alternativas para extrair bioativos do ambiente marinho e tentar elaborar com eles biomateriais que pudessem suprir essa lacuna," disse Ana Cláudia Renno.

A pesquisadora conta que um ponto crucial para conseguir ultrapassar a fase de laboratório e seguir para os testes clínicos foi a otimização do rendimento da extração: "Estamos testando e comparando protocolos para que possamos otimizar a extração dos bioativos das amostras e, futuramente, ter realmente um produto que chegue ao mercado e beneficie a população."

A fabricação industrial dos produtos poderá eventualmente gerar uma nova atividade econômica, para a exploração das esponjas.

Material para enxertos ósseos e de pele é extraído de esponjas marinhas
Suporte para enxertos ósseos já pronto para utilização.
[Imagem: Labetec/Unifesp]

"O ideal seria cultivá-las, para que não tenhamos de retirá-las da natureza. É possível cultivá-las em aquários, mas esses animais são muito sensíveis, são filtradores. E também há a alternativa de cultivá-los no mar mesmo. Neste caso, a possibilidade de sucesso é maior, porque é o hábitat deles, mas nosso grupo ainda não está trabalhando com o cultivo no mar. Estamos tentando o cultivo em aquários, onde conseguimos controlar temperatura, composição da água e outras variáveis, para obtenção de uma amostra homogênea e padronizada para extrair o colágeno," disse Ana Cláudia.

Organomineral

Para mimetizar o tecido ósseo e obter uma estrutura para enxertos, o grupo utilizou tanto a parte orgânica (a espongina, que é o colágeno propriamente dito), quanto a parte mineral (inorgânica) da esponja, a biossílica.

"Associamos a parte orgânica com a parte mineral e conseguimos obter um compósito com propriedades muito similares às do tecido ósseo. Fizemos um enxerto manufaturado, realizamos sua caracterização e iniciamos os testes, tanto in vitro, com células ósseas, quanto in vivo, com animais," contou a pesquisadora.

O objetivo do grupo foi tentar criar uma membrana que tenha efetividade biológica e capacidade de acelerar o processo de reparo, além de ser absorvível, a partir de uma matéria-prima nacional, fácil de ser acessada e processada, com reagentes químicos amigáveis e com custo reduzido para que o produto seja mais acessível à população.

O uso do material para enxerto em fraturas ósseas está ligeiramente mais adiantado, com os testes pré-clínicos já em andamento.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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