03/01/2020

Meninos são mesmo melhores que meninas em matemática? Não

Redação do Diário da Saúde
Meninos são mesmo melhores que meninas em matemática? Não
Até 6 em cada 10 estudantes universitários apresentam "ansiedade matemática" - e as mulheres sofrem ligeiramente mais.[Imagem: 10.1038/s41539-019-0057-x]

Meninas são piores em matemática?

Durante anos, pesquisadores têm tentado tirar força do mito de que as mulheres não têm a mesma participação que os homens nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM) por causa de deficiências biológicas na aptidão matemática.

Até a indústria aderiu a iniciativas e projetos inovadores para reverter a sub-representação das mulheres em CTEM.

Mais um estudo agora demonstra que meninas e meninos têm cérebros semelhantes e uma aptidão igual para matemática.

Os pesquisadores usaram um escâner de ressonância magnética para medir a atividade cerebral em 104 crianças com idades entre 3 e 10 anos, 55 das quais eram meninas. Todas as crianças assistiram a um vídeo educacional cobrindo conceitos de matemática, como contagem e adição, enquanto seus cérebros eram monitorados.

Os resultados não mostraram diferenças entre as funções cerebrais ou o desenvolvimento das crianças. Os cérebros de meninos e meninas estavam igualmente engajados, processavam as informações da mesma maneira e não revelaram grandes diferenças.

A equipe também analisou os resultados de um teste de habilidade matemática feito por 97 crianças com idades entre 3 e 8 anos, 50 das quais eram meninas. Ambos os sexos tiveram um desempenho igualmente bom, independentemente da idade.

Crenças científicas

"A ciência não se alinha às crenças populares," disse Jessica Cantlon, professora de neurociência do desenvolvimento na Universidade Carnegie Mellon (EUA). "Vemos que os cérebros das crianças funcionam de maneira semelhante, independentemente do sexo, e esperamos recalibrar as expectativas do que as crianças podem alcançar em matemática".

Na verdade, a ciência acadêmica já se alinhou no passado a diversas "crenças", em estudos que não se restringiam apenas a alegadas "demonstrações" das diferenças de gênero, mas também de raças. Desta forma, a própria ciência pode ser em parte responsável por esse estereótipo largamente disseminado de que meninas não se saem tão bem em matemática.

"A socialização típica pode exacerbar pequenas diferenças entre meninos e meninas, que podem ir virando uma bola de neve na maneira como os tratamos em ciências e matemática,", reconhece Cantlon. "Precisamos conhecer essas origens para garantir que não somos os responsáveis pelas desigualdades de gênero".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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