11/05/2022

Certas frequências de micro-ondas podem causar lesões cerebrais

Redação do Diário da Saúde
Certas frequências de micro-ondas podem causar lesões cerebrais
Critérios usados pelos cientistas, que parecem estar mais interessados em encontrar ondas que realmente façam mal às pessoas. [Imagem: Amy M. Dagro et al. - 10.1126/sciadv.abd8405]

Micro-ondas e ondas de rádio no cérebro

Embora as micro-ondas de baixa potência sejam tipicamente consideradas seguras e eficientes, novas pesquisas indicam que, em magnitudes de potência extremamente altas, as mesmas micro-ondas têm o potencial de causar lesões cerebrais graves, eventualmente fatais.

Contrariamente ao que já chegou a ser uma crença popular, as micro-ondas não causam câncer - ou, pelo menos, não há nenhum indício nesse sentido com as observações feitas até agora.

No entanto, uma nova pesquisa revelou que a exposição a certas frequências de micro-ondas ou ondas rádio, em potências extremamente altas, pode resultar em um forte estresse no cérebro.

Usando modelagem computacional, uma equipe da Universidade A&M do Texas e dos Laboratórios de Pesquisa do Exército e da Força Aérea dos EUA fez uma abordagem sequencial que primeiro calcula a taxa de absorção específica (SAR: Specific Absorption Rate) de ondas eletromagnéticas planares em um modelo 3D de um corpo humano.

Na segunda etapa, os valores de SAR foram usados para calcular as mudanças de temperatura em toda a cabeça e cérebro. Essas mudanças de temperatura foram finalmente usadas para determinar como o tecido cerebral se altera fisicamente em resposta às micro-ondas e ondas de rádio de alta intensidade.

"O aquecimento por micro-ondas causa uma expansão térmica rápida e espacialmente variável, que então induz ondas mecânicas que se propagam pelo cérebro, como ondulações em uma lagoa," disse o Dr. Justin Wilkerson, coordenador da equipe. "Descobrimos que, se essas ondas interagem da maneira certa no centro do cérebro, as condições são ideais para induzir uma lesão cerebral traumática."

Ciência para destruir

Publicada pela revista Science Advances, a pesquisa revelou que, ao aplicar um pequeno aumento de temperatura em um período muito curto de tempo (microssegundos), são criadas no cérebro ondas de estresse potencialmente prejudiciais.

O Dr. Wilkerson afirma que isso não é causa de preocupações para a população porque as simulações envolveram magnitudes de potência muito maiores do que qualquer coisa a que o ser humano médio será exposto. Nas simulações, toda a energia de micro-ondas necessária para estourar um saco de pipoca foi condensada em um milionésimo de segundo e depois direcionada ao cérebro.

Mas parece que a equipe não estava preocupada com a segurança dos consumidores e da população. Em vez disso, parece que a ideia é justamente o contrário do que se espera tipicamente dos estudos científicos: Descobrir ondas que possam de fato fazer mal - uma constatação que choca, mas não causa surpresas, uma vez que é bem sabido que há muitos cientistas que dedicam suas vidas a criar armas e "formas mais eficientes de matar".

"Embora as densidades de energia necessárias no trabalho aqui sejam ordens de magnitude maiores do que a maioria das condições de exposição do mundo real, elas podem ser alcançadas com dispositivos destinados a emitir pulsos eletromagnéticos de alta potência em aplicações militares e de pesquisa," admitiu Wilkerson.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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