30/06/2026

Mosteiros têm muito a ensinar às empresas sobre adaptação digital

Redação do Diário da Saúde
Mosteiros têm muito a ensinar às empresas sobre adoção de novas tecnologias
O estudo contradiz a suposição generalizada de que organizações duradouras inevitavelmente se tornam estagnadas e hostis à inovação.[Imagem: Diário da Saúde/Gerado por IA]

Tecnologia nos mosteiros

Um mosteiro parece ser a antítese da era digital, frenética e tentando ocupar-se com tudo o acontece no mundo todo. No entanto, cientistas suíços acabam de demonstrar que os mosteiros não são dinossauros desajeitados de uma outra era - pelo contrário, quando se trata de lidar com as mudanças tecnológicas, eles são surpreendentemente adaptáveis.

Mas como os mosteiros conseguem se virar com o atual ritmo de mudança mesmo após séculos de existência, quando menos de um quarto (20-25%) das 500 Maiores Empresas do Mundo listadas no ranking da revista Fortune há 50 anos ainda existem com a mesma identidade, marca ou essência corporativa?

Jan Danko e Katja Rost, da Universidade de Zurique, analisaram 112 mosteiros na Alemanha, Áustria e Suíça, focando na adaptabilidade dessas organizações às mudanças na realidade.

Os pesquisadores observaram um efeito surpreendente: Justamente as estruturas históricas originalmente criadas para a vida comunitária espiritual, tipicamente baseadas em regras bem delineadas, estão ajudando os mosteiros a se engajarem com as tecnologias digitais atualmente. Mecanismos como a consulta coletiva aos seus membros, a responsabilidade local e processos de tomada de decisão descentralizados provaram ser vantajosos para que os mosteiros se engajassem na transformação digital.

Em biologia evolutiva, essa mudança é conhecida como "exaptação", ou seja, a utilização de características preexistentes para uma função completamente nova. O exemplo mais conhecido disso são as penas, que originalmente se desenvolveram como um meio de regulação da temperatura nos dinossauros e, milhões de anos depois, permitiram que as aves voassem.

Da mesma forma, as formas históricas de organização dos mosteiros têm uma nova função hoje. "Antigas práticas de cogestão se tornaram ferramentas para os desafios modernos," disse Danko.

Adaptação digital

Mas há pontos e contrapontos. Por exemplo, a digitalização não é vista apenas de forma positiva nos mosteiros. Especialmente as ordens mais antigas frequentemente percebem a internet e as redes sociais como uma intrusão em suas rotinas sacras. Um abade resumiu a situação de forma contundente: "Desde a chegada dos celulares, o claustro é coisa do passado".

Essa abordagem mais cautelosa faz com que essas comunidades sejam particularmente seletivas na integração das diversas tecnologias digitais. Mesmo assim, muitos mosteiros já utilizam ferramentas digitais como algo natural - por exemplo, em sua comunicação interna, administração digital e presença online.

A forma como as mudanças são introduzidas também é crucial para o sucesso da digitalização. Nos mosteiros, o uso de novas tecnologias raramente é imposto de forma puramente vertical; ele é discutido em conjunto e adaptado à vida monástica. "Os mosteiros sempre foram lugares de inovação e, ao mesmo tempo, lugares de tradição - portanto, não há contradição inerente," afirmou um monge.

A digitalização também não é vista pelos monges como um fim em si mesma. Deste modo, as ferramentas digitais são utilizadas onde servem especificamente ao mandato religioso - como na transmissão de cerimônias religiosas para o público que não pode ir ao mosteiro. Ao mesmo tempo, regras monásticas seculares ajudam a orientar conscientemente o acesso ao mundo digital, por exemplo, estabelecendo períodos offline durante a formação de novos membros.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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