01/03/2010

Mulher recebe ameaças de morte após relatar aborto na internet

BBC

Boca no trombone

Uma mulher norte-americana provocou polêmica ao relatar no Twitter, em seu blog pessoal e em um vídeo postado no YouTube detalhes de como terminou uma gravidez indesejada após a ingestão de uma pílula abortiva.

Angie Jackson, de 27 anos, que mora na Flórida, afirmou ter recebido ameaças de morte e insultos após a publicação de seus relatos sobre as razões da decisão e o que sentiu após tomar a pílula.

Viver por mais tempo

No vídeo postado no YouTube no dia 22 de fevereiro, ela diz que decidiu compartilhar sua experiência pela internet para "desmistificar" o aborto para outras mulheres.

"Estou fazendo isso para que outras mulheres saibam 'ei, não é tão aterrorizador quanto eu havia imaginado'. Não é tão mau".

Jackson alega que decidiu interromper a gravidez de três semanas porque depois de sua primeira gestação, que foi de alto risco, os médicos lhe teriam recomendado não ter mais filhos. Ela disse que usava o método contraceptivo DIU (dispositivo intra-uterino), mas que ele falhou.

"Eu tenho um garotinho (...) Ele é meu mundo. Eu quero ficar viva para ser sua mãe por mais tempo", disse no vídeo.

Seguidores

Antes de iniciar a divulgação sobre seu aborto, Jackson tinha cerca de 800 seguidores no Twitter. Agora, são mais de 2 mil. Muitos deles apoiam sua decisão e registram mensagens nesse sentido.

No entanto, Jackson também vem enfrentando uma infinidade de críticas vindas de grupos de combate ao aborto, em especial de pessoas que se definem como cristãos.

O Conselho de Pesquisa da Família, uma entidade americana que promove "a fé, a família e a liberdade", publicou um artigo em seu site criticando a decisão de Jackson.

Quem assina o texto é Jeanne Monahan, diretora do centro. Ela escreveu que sente muito pela mulher, mas reafirmou que "o aborto mata uma pessoa e fere ao menos uma outra pessoa".

Só um ovo

Outras críticas, porém, não foram tão civilizadas. Tanto no Twitter quanto no YouTube, algumas pessoas chamaram Jackson de "prostituta" e "matadora de bebês". Alguns chegaram a desejar "uma morte violenta e dolorosa" para seu filho, enquanto outros se ofereceram para adotá-lo.

Jackson afirma que chegou a receber até mesmo ameaças de morte.

Como resposta, no dia 26 de fevereiro ela disponibilizou um outro vídeo no YouTube. Nele, Jackson, enfatiza que seus detratores se esqueceram da parte do primeiro vídeo em que ela mencionava que a gravidez poderia lhe custar a vida.

"Vocês não vão me deixar envergonhada, não vão me silenciar. Eu não me arrependo de ter salvado a minha vida. Não me arrependo de ter ficado aqui por mim mesma, por meu namorado e por meu filho", declarou.

Jackson conclui o vídeo dizendo que aborto não é assassinato.

"Impedir um ovo de se tornar uma pessoa não é a mesma coisa que matar alguém".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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