25/05/2021

Nova técnica faz tumor eliminar a si mesmo

Redação do Diário da Saúde
Nova técnica faz tumor eliminar-se de dentro para fora
Visão do tumor por dentro. Um pedaço foi tratado para se tornar transparente e escaneado em 3D com um microscópio especial. Os componentes marcados com cores fluorescentes foram processados em uma representação 3D rotativa no computador (vermelho: vasos sanguíneos, turquesa: células tumorais, amarelo: anticorpo terapêutico).[Imagem: Plückthun Lab]

Tumor que se autodestrói

Uma nova tecnologia permitirá que o corpo produza agentes terapêuticos quando necessário e no local exato do corpo onde eles são necessários.

A inovação promete, em uma primeira etapa, reduzir os efeitos colaterais das terapias do câncer, mas também pode se tornar rapidamente a solução para uma melhor distribuição de terapias relacionadas à covid diretamente nos pulmões.

Para demonstrar essa tecnologia, cientistas da Universidade de Zurique (Suíça) modificaram um vírus respiratório comum, chamado adenovírus, para agir como um cavalo de Troia e entregar genes para a terapia do câncer diretamente nas células tumorais.

Ao contrário da quimioterapia ou da radioterapia, essa abordagem não prejudica as células saudáveis. Uma vez dentro das células tumorais, os genes servem como um modelo para anticorpos terapêuticos, citocinas e outras substâncias de sinalização, que são produzidas pelas próprias células cancerosas e atuam para eliminar os tumores de dentro para fora.

"Nós enganamos o tumor para que ele elimine a si mesmo por meio da produção de agentes anticâncer por suas próprias células," reforça a Dra Sheena Smith, que liderou o desenvolvimento da técnica.

Os pesquisadores batizaram sua tecnologia de SHREAD, sigla de SHielded, REtargetted ADenovirus, ou adenovírus blindado redirecionado.

Melhor que o trastuzumabe

Para testar a técnica, a equipe fez o próprio tumor produzir um anticorpo contra o câncer de mama, uma droga clinicamente aprovada chamada trastuzumabe (Herceptin®), na mama de uma camundongo. Após alguns dias, o SHREAD produziu mais anticorpos no tumor do que quando o medicamento foi injetado diretamente.

Além disso, a concentração na corrente sanguínea e em outros tecidos, onde os efeitos colaterais podem ocorrer, foram significativamente menores com a nova técnica.

Os cientistas então usaram um método de imagem 3D de alta resolução para demonstrar como o anticorpo terapêutico, produzido no corpo, cria poros nos vasos sanguíneos do tumor e destrói as células tumorais, e assim o destrói de dentro para fora.

A equipe enfatiza que a tecnologia não é aplicável apenas na luta contra o câncer de mama. Como os tecidos saudáveis não entram mais em contato com níveis significativos do agente terapêutico, ela também é aplicável para a entrega de uma ampla gama de produtos biológicos - drogas à base de proteínas, por exemplo, que tipicamente são muito tóxicas.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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