19/05/2020

Ciência tenta mais uma vez responder: O que é um indivíduo?

Redação do Diário da Saúde
O que é um indivíduo? Teoria da informação pode ter a resposta
Como nesta imagem enganadora, a definição do que é um indivíduo pode depender da capacidade de ver do observador. [Imagem: David Krakaueret al. - 10.1007/s12064-020-00313-7]

Definição de indivíduo

É quase impossível imaginar a biologia sem indivíduos - organismos individuais, células individuais, genes individuais e até a individualidade cerebral.

Mas, e quanto a uma formiga operária, que nunca se reproduz e nunca poderia sobreviver longe da colônia? E os trilhões de microrganismos em nossos microbiomas, que superam em muito as células humanas e ajudam a compor nossa individualidade?

"Apesar da suposição quase universal da individualidade na biologia, há pouco acordo sobre o que são indivíduos e poucos métodos quantitativos rigorosos para sua identificação," escreveram David Krakauer e seus colegas do Instituto de Estudos Avançados de Frankfurt (Alemanha).

O problema, observam os cientistas, é análogo a identificar uma figura contra seu plano de fundo em um desenho muito utilizado pela psicologia Gestalt: Da mesma forma que na famosa imagem de dois rostos delineando um vaso, uma forma de vida individual e seu ambiente criam um todo maior do que a soma de suas partes.

Fluxos de informações

Sem muitas ferramentas para resolver esse quebra-cabeças, os biológos foram encontrar auxílio na teoria da informação. Em vez de focar em características anatômicas, como paredes celulares, Krakauer propõe que se olhe os fluxos de informações estruturados entre um sistema e seu ambiente. "Os indivíduos são melhor pensados em termos de processos dinâmicos, e não como objetos estacionários," propõe a equipe.

A pergunta passa a ser então: Quais processos produzem uma identidade distinta?

Os pesquisadores enfatizam que esse ponto de vista permite que a individualidade seja "contínua, em vez de binária, aninhada, passando a ser possível em qualquer nível". Em outras palavras, uma "teoria da informação da individualidade" (ou TII) descreve a emergência de um indivíduo, ou agente, em diferentes escalas e com redes de comunicação distribuídas - por exemplo, formigas e colônias simultaneamente emergindo como individualidades em níveis diferentes.

Os autores usam um modelo que sugere três tipos de indivíduos, cada um correspondendo a uma mistura diferente de autorregulação e influência ambiental. Decompor as informações desse jeito gera um gradiente, que varia de formas ambientalmente sobrepostas, como redemoinhos, e formas coloniais parcialmente sobrepostas, como recifes de coral e teias de aranha, até indivíduos organizados que são esculpidos pelo seu ambiente, mas fortemente auto-organizados.

Influência do observador

Cada tipo de indivíduo é visto assim como uma estratégia para propagar informações adiante através do tempo, o que significa que individualidade tem a ver com a redução da incerteza temporal - nesse modelo, a replicação, ou reprodução, surge como apenas uma das muitas estratégias para os indivíduos solicitarem informações em seu futuro.

"Isso nos deixa livres para perguntar qual papel a replicação desempenha na redução da incerteza temporal por meio da criação de indivíduos" - uma pergunta próxima a perguntar por que encontramos a vida em primeiro lugar, propõe a professora Jessica Flack.

Talvez a maior implicação deste trabalho esteja em como ele coloca o observador no centro da teoria da evolução.

"Assim como na mecânica quântica," disse Krakauer, "onde o estado de um sistema depende da medição, as medidas que chamamos de seleção natural determinam a forma preferida do indivíduo. Quem faz a medição? O que descobrimos depende do que o observador é capaz de ver."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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