07/10/2019

Obesidade altera colostro mas não diminui proteção do leite materno

Com informações da Agência Brasil
Obesidade altera colostro mas não diminui proteção do leite materno
"O fato de amamentar, independentemente se é obesa ou não, protege [o filho] contra a obesidade. Essa relação [amamentação e prevenção da obesidade] já é comprovada."[Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil]

Obesidade e amamentação

A obesidade da mãe pode alterar a eficiência dos componentes de defesa presentes no colostro, que é o primeiro leite produzido pela mãe e que tem o papel principal de proteção do recém-nascido.

Por outro lado, o colostro de mães obesas apresentou maiores níveis do hormônio melatonina, que, juntamente com outros dois hormônios - leptina e a adiponectina -, foi capaz de restaurar a eficácia das células de defesa do colostro.

O fato de haver mais melatonina no colostro das mães obesas parece ser uma forma de compensação para restituir a atividade dessas células de proteção.

"O colostro é rico em vários tipos diferentes de células que atuam no sistema imunológico. Os que têm maior concentração são os macrófagos e linfócitos, que são dois tipos de células principais que fazem a defesa. Eu avaliei a parte dos macrófagos, que são células que fazem fagocitose", explicou Tassiane Cristina Morais, da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Universidade Federal de Mato Grosso.

Na presença de um microrganismo, essas células tentam conter sua ação, por exemplo, levando-o à morte.

"As células da mãe obesa, na presença de um microrganismo, fagocita menos, é como se ele fosse mais ativo. Para compensar, quando eu coloco os hormônios nessa célula, eles restituem a atividade dessa célula [de defesa]. Com os hormônios, a atividade da célula de mãe obesa está protegendo tanto quanto a de mães não obesas," acrescentou Tassiane.

Amamentação protege contra obesidade do filho

A pesquisadora ressalta a importância da amamentação independentemente dos efeitos da obesidade sobre o colostro.

"Esse leite [produzido pela mãe obesa] traz proteção para a criança. Às vezes, as mulheres com excesso de peso têm uma dificuldade para amamentar, até mesmo porque estão mais predispostas a parto cesáreo, às vezes demoram mais para ter a caída do leite. Há estudos que mostram que elas são mais associadas a desmame precoce, então essas mulheres devem ser incentivadas para que elas possam amamentar," afirmou.

Para a pesquisadora, o resultado da ação dos hormônios é como se o corpo encontrasse uma forma de compensar a baixa eficácia das células de defesa nas mães obesas. "Sempre o leite vai ser produzido de uma forma para ser benéfico para a criança. Os constituintes que estão nele vão atuar de forma sempre para proteger".

Além disso, ela destaca que a amamentação está relacionada à proteção contra a obesidade, diabetes e outras doenças metabólicas. "O fato de amamentar, independentemente se é obesa ou não, protege [o filho] contra a obesidade. Essa relação [amamentação e prevenção da obesidade] já é comprovada, principalmente por estudos epidemiológicos, eles viram essa relação até mesmo em adultos que foram amamentados tiveram uma predisposição menor para desenvolver obesidade".

No entanto, Tassiane ressalta que os mecanismos pelo qual a amamentação protege da obesidade ainda não são totalmente esclarecidos.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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