06/11/2019

Óculos medem nível de glicose, álcool e vitaminas a partir das lágrimas

Com informações da Agência Fapesp
Óculos medem nível de glicose, álcool e vitaminas a partir das lágrimas
O sinal sem fio, que manda a resposta do biossensor em tempo real para um computador, é transmitido a partir de um dispositivo emissor presente em uma das hastes dos óculos.[Imagem: IFSC-USP]

Óculos sensoriais

Pesquisadores brasileiros e norte-americanos desenvolveram óculos capazes de medir o nível de glicose, álcool e vitaminas no organismo do usuário por meio de uma única lágrima.

A leitura das informações nutricionais é feita por um biossensor em tempo real e os resultados são enviados por Bluetooth para o computador ou para o celular.

O trabalho contou com a participação da pesquisadora brasileira Laís Canniatti Brazaca, da USP de São Carlos (SP), durante doutoramento realizado na Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos.

"Foi desafiador desenvolver uma plataforma capaz de fazer medidas de glicose, álcool e vitaminas usando uma lágrima. Desenvolvemos um dispositivo microfluídico super-hidrofóbico, que é colocado nas plaquetas dos óculos. Dentro do dispositivo se encontra um eletrodo, que é modificado com uma determinada enzima, dependendo do que se deseja detectar. Para o caso da medição de níveis de glicose, por exemplo, usamos a enzima glicose-oxidase. O sinal sem fio, que manda a resposta do biossensor em tempo real para um computador, é transmitido a partir de um dispositivo emissor presente em uma das hastes dos óculos," detalhou Laís.

Óculos medem nível de glicose, álcool e vitaminas a partir das lágrimas
Esquema de funcionamento do sensor.
[Imagem: Juliane R.Sempionatto et al. - 10.1016/j.bios.2019.04.058]

Sensor seletivo

O usuário deve escolher o tipo de medição que deseja fazer - glicose, álcool ou vitamina - e inserir o biossensor adequado na plaqueta dos óculos, uma vez que cada sensor contém uma enzima diferente e, portanto, faz apenas um tipo de medição.

Com os óculos na face, a pessoa usa um pequeno bastão com um produto ao qual o olho é sensível (tipo fragrância de mentol) para estimular a geração de lágrimas. Quando a lágrima escorre e entra em contato com o biossensor presente na plaqueta, a reação ocorre e gera uma variação na corrente do eletrodo. Esse sinal é emitido por um circuito instalado nas hastes dos óculos para o computador ou para o celular, permitindo a leitura dos dados.

Segundo os pesquisadores, com a possibilidade de mudar as plaquetas conforme o tipo de leitura desejada, a plataforma pode ser expandida para detectar diversas outras substâncias em lágrimas, trazendo vantagens especialmente por analisar um fluido de obtenção simples e não invasiva.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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