14/10/2020

Os genes explicam as diferenças entre masculino e feminino?

Redação do Diário da Saúde
Os genes explicam as diferenças entre masculino e feminino?
As diferenças sexuais na expressão gênica só recentemente receberam atenção séria da comunidade científica - o problema é que os genes variam também entre mulheres e entre homens. [Imagem: V. Altounian/Science/M. Atarod/Science/Gtex]

Genética por sexo

É comum ouvir que os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus. Mas será que existem mesmo genes de Marte e genes de Vênus?

Acontece que homens e mulheres compartilham a grande maioria dos seus genomas. Apenas uma pitada de genes, localizados nos chamados cromossomos sexuais X e Y, difere entre os sexos.

Por outro lado, as atividades dos nossos genes - sua expressão em células e tecidos - geram profundas distinções entre homens e mulheres, muito além da mera aparência externa ou do papel reprodutivo.

Os genes são expressos de forma diferente em homens e mulheres, afetando fortemente o risco, a incidência, a prevalência, a gravidade e a idade de início de muitas doenças, incluindo câncer, doenças autoimunes, doenças cardiovasculares e problemas neurológicas.

Os pesquisadores já observaram diferenças associadas ao sexo na expressão genética em uma variedade de tecidos, incluindo fígado, coração e cérebro. No entanto, essas diferenças específicas de sexo nos tecidos permanecem pouco compreendidas. A maioria das características que apresentam variação entre machos e fêmeas parece resultar de diferenças na expressão de genes autossômicos comuns a ambos os sexos, e não por meio da expressão de genes de cromossomos sexuais ou hormônios sexuais.

E há grande interesse nesse campo porque uma melhor compreensão dessas disparidades associadas ao sexo no comportamento dos nossos genes pode levar a diagnósticos e tratamentos melhores para uma série de doenças, tratando homens e mulheres de acordo com a especificidade de cada um.

Viezes

Em busca de um plano de ação para as pesquisas futuras, a professora Melissa Wilson, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), publicou um artigo no último número da revista Science no qual ela enumera o conhecimento atual e as pesquisas em andamento sobre padrões de diferenças sexuais na expressão gênica em todo o genoma.

Entre os alertas estão os vieses de amostragem nas populações humanas incluídas nesses estudos e o fato de que é difícil atribuir as diferenças genômicas aos sexos.

"Uma das coisas mais impressionantes sobre este estudo abrangente das diferenças de sexo," escreveu Melissa, "é que, embora as diferenças agregadas se estendam pelo genoma e contribuam para vieses na saúde humana, cada gene individual varia enormemente entre as pessoas."

Os genes explicam as diferenças entre masculino e feminino?
Há mais de uma década os cientistas concordaram que o DNA não tem todas as respostas.
[Imagem: Human Genome Project]

As diferenças na expressão gênica associadas ao sexo são compartilhadas entre os mamíferos, embora seus papéis relativos na suscetibilidade a doenças permaneçam especulativos - não há estudos suficientes para estabelecer conclusões.

Por exemplo, sugere-se que o surgimento de mamíferos placentários, há cerca de 90 milhões de anos, pode ter levado a diferenças na função imunológica entre machos e fêmeas. Essas distinções baseadas no sexo, surgidas no passado distante, deixaram sua marca nos mamíferos atuais, incluindo os humanos, expressas em taxas mais altas de doenças auto-imunes em mulheres e taxas maiores de câncer em homens.

Diferenças sexuais na expressão gênica

Apesar de sua importância crítica para a compreensão da prevalência e gravidade das doenças, as diferenças sexuais na expressão gênica só recentemente receberam atenção séria da comunidade científica. E Melissa indica que muitas pesquisas genéticas históricas, usando principalmente sujeitos brancos do sexo masculino na meia-idade, produziram um quadro incompleto.

Esses estudos frequentemente falham em levar em conta as diferenças de sexo no projeto e na análise dos experimentos, apresentando uma visão distorcida da variância das doenças baseadas no sexo, muitas vezes levando a abordagens únicas para diagnóstico e tratamento.

A conclusão da pesquisadora é que os cientistas precisam ser mais cuidadosos com generalizações baseadas em bancos de dados de informações genéticas, incluindo o largamente utilizado GTEx.

Mas ela reconhece que está surgindo na comunidade científica uma abordagem mais holística, à medida que os pesquisadores investigam todo o conjunto de efeitos relacionados à expressão gênica masculina e feminina em uma gama mais ampla de variações humanas, o que leva a conclusões muito distantes dos estereotipados "gene disso ou gene daquilo".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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