19/05/2021

Países não têm acesso a medicamentos e vacinas que ajudaram a desenvolver

Redação do Diário da Saúde
Países não têm acesso a medicamentos e vacinas que ajudaram a desenvolver
É necessário tomar medidas para dar acesso aos novos medicamentos às populações nas quais eles foram testados.[Imagem: Pexels/Pixabay]

Vocês testam, nós usamos

A grande maioria dos novos medicamentos e vacinas aprovados para uso nos Estados Unidos não estão disponíveis nos países em que foram realizados os ensaios clínicos que permitiram os testes e a aprovação desses fármacos.

Isso mostra que os benefícios da pesquisa de novos medicamentos não estão sendo compartilhados de forma equitativa com as populações que participam dos testes.

Esta descoberta veio da análise de 563 ensaios clínicos, para os quais havia dados de localização disponíveis. Os dados mostram que, cinco anos após a aprovação do medicamento ou vacina nos Estados Unidos, apenas 15% dos medicamentos (5 de 34) foram aprovados em todos os países que hospedaram os ensaios.

Entre os 70 países que contribuíram com voluntários para a pesquisa, 7% (5 países) receberam acesso aos medicamentos que ajudaram a testar dentro de um ano da aprovação da agência norte-americana (FDA: Federal and Drug Administration), enquanto 31% (22 países) receberam o acesso dentro de cinco anos. Os quase dois terços restantes nunca tiveram acesso aos medicamentos.

As aprovações aconteceram mais rapidamente nos países mais ricos, como Alemanha e Canadá, enquanto o acesso foi menor na África, onde nenhum dos medicamentos estava disponível em qualquer país; a exceção foi a África do Sul, onde 24% dos medicamentos testados ficaram disponíveis no país após cinco anos.

"Nós descobrimos lacunas substanciais no acesso a novos medicamentos que levantam preocupações sobre a distribuição equitativa dos benefícios da pesquisa," disse a professora Jennifer Miller, da Universidade de Yale (EUA). "Garantir o acesso ao mercado aos medicamentos para os países que ajudam a desenvolvê-los pode ajudar a efetivar um princípio fundamental da ética em pesquisa: que os benefícios e encargos da pesquisa devem ser compartilhados de forma equitativa entre as pessoas afetadas por ela."

Ética da pesquisa clínica

A pesquisa clínica para medicamentos e vacinas que buscam a aprovação da FDA é amplamente conduzida fora dos Estados Unidos e, cada vez mais, em países pobres.

Para tornar o processo mais equitativo, os pesquisadores sugerem que, como condição para a realização de testes clínicos, os governos dos países anfitriões exijam que as empresas farmacêuticas se comprometam a providenciar a aprovação no próprio país dentro de um prazo previamente estipulado após conseguirem a aprovação nos EUA.

As empresas farmacêuticas também devem considerar a adoção de políticas por meio das quais não testarão medicamentos em países onde não pretendam vender o produto testado.

Finalmente, os pesquisadores recomendam rastreamento, auditoria e relatórios transparentes sobre os registros de medicamentos em países que hospedam os ensaios clínicos, de forma a ajudar na expansão do acesso a novos medicamentos e vacinas em todo o mundo.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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