10/12/2019

Parkinson começa no cérebro ou no intestino? Ou em ambos?

Redação do Diário da Saúde
A doença de Parkinson começa no cérebro ou no intestino?
Especialistas propõem que a doença de Parkinson seja dividida em dois subtipos: cérebro-primeiro e intestino-primeiro.[Imagem: Lundbeck Foundation]

Cérebro-primeiro e intestino-primeiro

Antes tida como uma patologia eminentemente cerebral, à medida que as pesquisas avançaram começou a ficar claro que o intestino desempenha um papel essencial no desenvolvimento da doença de Parkinson.

Isso gerou uma discussão na comunidade científica: Afinal, a doença de Parkinson começa no cérebro ou no intestino?

Parece que as duas coisas podem ser verdadeiras.

"A discussão sobre as origens da doença de Parkinson é frequentemente enquadrada como um 'ou-ou', ou seja, todos os casos de Parkinson começam no intestino ou todos os casos começam no cérebro. No entanto, muitas das evidências parecem compatíveis com essas duas interpretações. Portanto, precisamos considerar a possibilidade de que ambos os cenários sejam realmente verdadeiros," esclarece a Dra Nathalie Van Den Bergeg, da Universidade Aarhus (Dinamarca), que, juntamente com sua colega Pera Borghammer, revisou todas as pesquisas científicas feitas até agora sobre o assunto.

Com base nas evidências disponíveis, as duas especialistas levantam a hipótese de que a doença de Parkinson pode ser dividida em dois subtipos: 'intestino primeiro', originando-se no sistema nervoso periférico do intestino e se espalhando para o cérebro; e 'cérebro primeiro', originando-se do cérebro, ou entrando no cérebro através do sistema olfativo, e se espalhando para o tronco cerebral e sistema nervoso periférico.

Tipos de doença de Parkinson

Isso sugere que a doença de Parkinson é mais complicada do que se pensava inicialmente. Se a doença começar no intestino em apenas uma fração dos pacientes, é provável que intervenções direcionadas ao intestino possam ser eficazes apenas para esses pacientes específicos, mas não para os indivíduos nos quais a doença começa no próprio cérebro, o mesmo ocorrendo para as intervenções projetadas para o cérebro.

"Evidências de estudos de autópsia de cérebros de pacientes com Parkinson sugerem que a doença pode começar no sistema nervoso periférico do intestino e nariz. A patologia então se espalha pelos nervos para o cérebro. No entanto, nem todos os estudos de autópsia concordam com essa interpretação. Em alguns casos, o cérebro não contém patologia nos importantes 'pontos de entrada' do cérebro, como o núcleo do vago dorsal na parte inferior do tronco cerebral.

"A hipótese do intestino-primeiro versus cérebro-primeiro apresentada nesta revisão fornece um cenário que pode conciliar essas descobertas discrepantes da literatura neuropatológica em uma única teoria coerente sobre as origens da doença de Parkinson.

"É provável que esses tipos diferentes de doença de Parkinson precisem de estratégias de tratamento diferentes. Pode ser possível prevenir o tipo de Parkinson intestino-primeiro por meio de intervenções direcionadas ao intestino, tais como probióticos, transplantes fecais e tratamentos anti-inflamatórios. No entanto, essas estratégias podem não funcionar com relação ao tratamento e prevenção do tipo cérebro-primeiro. Assim, uma estratégia de tratamento personalizada será necessária e precisamos ser capazes de identificar esses subtipos da doença de Parkinson no paciente individual," disse Borghammer.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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