17/06/2021

Pequenas pausas ajudam cérebro a aprender novas habilidades

Redação do Diário da Saúde
Pequenas pausas ajudam cérebro a aprender novas habilidades
A repetição automática do cérebro durante os intervalos mostra quem vai aprender melhor. [Imagem: Ethan R. Buch et al. - 10.1016/j.celrep.2021.109193]

Pausas para melhorar aprendizado

Pesquisadores conseguiram mapear a atividade cerebral que ocorre quando aprendemos uma nova habilidade, como tocar uma nova música no piano.

E eles descobriram algo essencial para o aprendizado de novas habilidades e com impacto potencial até mesmo na educação como um todo.

A descoberta é que fazer pausas rápidas durante a prática ou treinamento da nova habilidade reforça e amplia significativamente o aprendizado.

Durante o intervalo, os cérebros dos voluntários reproduziam rápida e repetidamente versões da atividade recém-aprendida.

Quanto mais um voluntário repetia a atividade seguida de intervalo, melhor ele se saia durante as sessões de prática subsequentes, sugerindo que as memórias são realmente fortalecidas pelo descanso.

"Nossos resultados dão suporte à ideia de que o repouso acordado desempenha um papel tão importante quanto a prática no aprendizado de uma nova habilidade. Parece ser o período em que nossos cérebros comprimem e consolidam as memórias do que acabamos de praticar. A compreensão desse papel da repetição neural pode não apenas ajudar a moldar como aprendemos novas habilidades, mas também ajudar pacientes a recuperar habilidades perdidas após uma lesão neurológica, como um derrame," disse Leonardo Cohen, do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Derrame (NINDS).

Reforço do aprendizado

O experimento usou uma técnica de varredura altamente sensível, chamada magnetoencefalografia, para registrar as ondas cerebrais de 33 voluntários destros e saudáveis conforme eles aprendiam a digitar um código de cinco dígitos com a mão esquerda. Os participantes sentaram-se em uma cadeira sob a longa tampa em forma de cone do escâner.

A tarefa consistia em digitar o código "41234" quantas vezes fosse possível por 10 segundos, fazer um intervalo de 10 segundos e assim repetidamente, em um total de 35 vezes.

Durante as primeiras tentativas, a velocidade com que os voluntários digitaram corretamente o código melhorou drasticamente e depois se estabilizou por volta do 11º ciclo.

Mas foi só quando a equipe desenvolveu um programa especial para analisar os sinais cerebrais que eles descobriram um "replay acelerado" do treinamento no cérebro - durante os períodos de descanso, o cérebro "rodava" uma versão cerca de 20 vezes mais rápida da atividade cerebral observada durante os 10 segundos de digitação.

Ao longo das primeiras onze tentativas práticas, essas versões compactadas da atividade foram repetidas cerca de 25 vezes por período de descanso. Isso era duas a três vezes mais frequente do que a atividade observada durante os períodos de descanso posteriores ou após o término dos experimentos.

Alinhavando memórias

Mais importante, os dados comprovam que a frequência de repetição durante o repouso permite prover o fortalecimento da memória de cada indivíduo. Em outras palavras, os voluntários cujos cérebros repetiram a atividade de digitação com mais frequência mostraram maiores incrementos no desempenho após cada tentativa do que aqueles que a repetiram com menos frequência.

"Durante a parte inicial da curva de aprendizado, vimos que a repetição do descanso em vigília era reduzida no tempo, era frequente e um bom indicador de variabilidade no aprendizado de uma nova habilidade entre os indivíduos," contou Ethan Buch, membro da equipe. "Isso sugere que, durante o repouso desperto, o cérebro alinhava as memórias necessárias para aprender uma nova habilidade."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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