04/06/2021

Pesquisadores brasileiros elucidam estrutura completa do vírus Mayaro

Com informações da Agência Fapesp
Pesquisadores brasileiros elucidam estrutura completa do vírus Mayaro
Resultados podem ajudar no desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, medicamentos e imunizantes contra a febre do Mayaro, uma doença negligenciada porque é difícil de ser identificada.[Imagem: Helder V. Ribeiro-Filho et al. - 10.1038/s41467-021-23400-9]

Vírus Mayaro

Pesquisadores brasileiros desvendaram a estrutura molecular completa do vírus Mayaro, que pode ser transmitido para humanos por meio de mosquitos e causar sintomas como dor de cabeça, febre alta e dores nas articulações.

A febre do Mayaro é uma das doenças endêmicas negligenciadas no Brasil e, como os sintomas são muito parecidos com os da chikungunya e da dengue, há dificuldades de diagnóstico que prejudicam muito o planejamento de estratégias de controle.

Desde 2017, pesquisadores do Laboratório Nacional da Biociências (LNBio) e do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) trabalham nos métodos de padronização, preparação de amostras hiperconcentradas do vírus infeccioso e coleta de dados para compreender detalhes da biologia do vírus Mayaro.

A equipe espera que o novo conhecimento gerado neste esforço possa ser útil para o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, medicamentos e imunizantes da febre do Mayaro.

"Neste trabalho, descrevemos a partícula infecciosa do vírus Mayaro, incluindo todas as proteínas que a compõem. Foram usadas técnicas que permitiram observar detalhes da biologia viral que não tinham sido descritos em outros trabalhos e que representam um avanço em nossas capacidades de combate e entendimento da doença", disse o professor Rafael Elias Marques.

A equipe conseguiu descrever como o vírus se organiza e como suas proteínas interagem para atingir essa organização, o que é importante para entender seu ciclo de replicação e eventuais vulnerabilidades, que poderão se tornar alvos de novos tratamentos.

Aperto de mãos

Na estrutura do vírus Mayaro, revelada agora pela primeira vez, um dos detalhes que chamam atenção são as cadeias de açúcares ligadas na proteína E2.

Esses açúcares estão voltados uns para os outros em uma configuração que se assemelha a um aperto de mãos. Os pesquisadores acreditam que esses açúcares, além de serem reconhecidos pelo sistema imunológico, podem ajudar o vírus a se organizar e ficar mais estável.

A função dessa parte específica do vírus está entre os temas que continuarão sendo estudados pelos pesquisadores, o que deverá ser feito no Sirius, uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, projetada e construída pelos pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

"Quando conhecemos em detalhes as proteínas que compõem a estrutura de um vírus conseguimos diferenciá-lo de outros patógenos, colaborando para o desenvolvimento de um diagnóstico mais específico da doença. Além disso, podemos identificar de forma racional moléculas que sejam capazes de se ligar ao vírus e inibir sua replicação ou entrada na célula humana, levando ao desenvolvimento de medicamentos capazes de combater a infecção," explicou Helder Ribeiro, membro da equipe.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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