27/04/2026

Proximidade de usinas nucleares aumenta mortalidade por câncer

Redação do Diário da Saúde
Proximidade de usinas nucleares aumenta mortalidade por câncer
Associações estimadas entre a proximidade de usinas nucleares e a mortalidade por câncer, por faixa etária e sexo, de 2000 a 2018.[Imagem: Yazan Alwadi et al. - 10.1038/s41467-026-69285-4]

Câncer e usinas nucleares

Um estudo realizado nos EUA revelou que as regiões urbanas localizadas mais próximos de usinas nucleares apresentam taxas mais altas de mortalidade por câncer do que as regiões mais distantes, mesmo após considerar fatores socioeconômicos, ambientais e de acesso à saúde.

A pesquisa, que analisou todas as usinas nucleares e todos os condados do país, estima que cerca de 6.400 mortes por ano entre 2000 e 2018 tenham tido relação com a proximidade a essas instalações, um total de aproximadamente 115 mil óbitos no período - nos EUA, um condado é um conceito parecido com uma região metropolitana no Brasil.

Nas últimas décadas, estudos ao redor do mundo sobre uma possível ligação entre usinas nucleares e câncer produziram resultados conflitantes. Além disso, as pesquisas sobre o assunto são raras e limitadas, tipicamente concentrando-se em uma única usina e na comunidade ao seu redor.

Mas o assunto ganhou relevância novamente conforme o atual governo norte-americano voltou a promover a energia nuclear como uma "solução limpa" para as mudanças climáticas, o que poderia levar à construção de novas usinas nucleares sem uma compreensão completa dos seus potenciais impactos sobre a saúde da população.

Associação significativa

Para ampliar a base de evidências, Yazan Alwadi e colegas da Universidade de Harvard realizaram uma avaliação nacional usando um modelo estatístico avançado que captura o impacto acumulado de todas as usinas próximas a cada condado, em vez de analisar a usina ligada a cada condado. O estudo ponderou fatores como escolaridade, renda, composição racial, temperatura, umidade, prevalência de tabagismo, índice de massa corporal e proximidade ao hospital mais próximo.

Os resultados mostraram que a associação entre proximidade de uma usina nuclear e a mortalidade por câncer se manteve significativa no período, sendo mais forte entre os adultos mais velhos. Os autores ressaltam, no entanto, que os resultados não são suficientes para estabelecer causalidade, ou seja, eles não provam que as usinas sejam a causa direta dos cânceres, mas indicam a necessidade urgente de mais pesquisas.

A equipe recomenda especificamente novos estudos que incluam medições diretas da radiação nas comunidades e análises mais detalhadas sobre tipos específicos de câncer. Isso poderá ajudar a esclarecer se a relação observada é de fato causal e quais mecanismos biológicos estariam envolvidos.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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