09/08/2018

Radiação de celulares afeta memória de adolescentes

Redação do Diário da Saúde
Radiação de celulares afeta memória de adolescentes
Os estudos sobre os riscos da radiação eletromagnética dos telefones celulares são controversos e costumam causar furor entre os médicos e cientistas.[Imagem: CC0 Creative Commons]

Celulares e o cérebro dos adolescentes

Campos eletromagnéticos de radiofrequência podem ter efeitos adversos no desenvolvimento da memória em regiões específicas do cérebro expostas ao uso de telefones celulares.

Esta é a conclusão de um estudo envolvendo cerca de 700 adolescentes, realizado pelo Instituto Suíço de Saúde Pública e Tropical, e publicado na revista Environmental Health Perspectives.

O assunto ainda é tema de preconceitos e controvérsias, e geralmente desperta furor entre os próprios cientistas, mas vários estudos vêm confirmando que, em alguns casos, há um risco real da radiação dos celulares para a saúde.

A rápida evolução das tecnologias da informação e comunicação aumentou nossa exposição a campos eletromagnéticos de radiofrequência em geral, despertando em algumas pessoas o que hoje se conhece como sensibilidade eletromagnética.

Mas a fonte de exposição mais relevante para o cérebro é o uso de um telefone celular próximo à cabeça (Para outras áreas específicas do corpo, veja o artigo Celular no bolso da calça reduz fertilidade masculina).

Os celulares e o cérebro dos adolescentes

Martin Roosli e seus colegas analisaram a relação entre a exposição à radiofrequência dos telefones celulares durante chamadas de voz e o desempenho da memória em adolescentes.

Este é o primeiro estudo epidemiológico no mundo a estimar a dose cerebral cumulativa de emissões eletromagnéticas de rádio (EEM-RF) em adolescentes. "Uma característica única deste estudo é o uso de dados de usuários de celular coletados objetivamente das operadoras de telefonia móvel," disse Roosli.

Os resultados mostraram que a exposição cerebral cumulativa à EEM-RF pelo uso de telefones celulares ao longo de um ano pode ter um efeito negativo sobre o desenvolvimento da memória figurativa, confirmando resultados anteriores da própria equipe, publicados em 2015.

A memória figurativa localiza-se principalmente no hemisfério direito do cérebro, e a associação com o EEM-RF foi mais pronunciada em adolescentes usando o telefone celular no lado direito da cabeça.

Outros aspectos do uso da comunicação sem fio, como o envio de mensagens de texto, jogos ou navegação na internet, causam apenas uma exposição marginal do cérebro à radiofrequência e não se mostraram associados ao desenvolvimento ou ao desempenho da memória.

Mas o pesquisador enfatiza que mais pesquisas são necessárias para descartar a influência de outros fatores. "Por exemplo, os resultados do estudo podem ter sido afetados pela puberdade, o que afeta tanto o uso do celular quanto o estado cognitivo e comportamental do participante," disse Roosli.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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