18/12/2020

Radicais livres são bons para o cérebro

Redação do Diário da Saúde
Radicais livres são cruciais para a plasticidade cerebral
É mais uma descoberta que muda o conceito sobre o papel dos radicais livres, ou oxidantes. [Imagem: Cell Stem Cell]

Neurogênese

As espécies reativas de oxigênio, moléculas mais conhecidas como "radicais livres", foram por muito tempo consideradas pelos cientistas como prejudiciais.

No entanto, hoje se sabe que elas controlam processos celulares importantes e podem até mesmo agir contra o envelhecimento.

Agora, cientistas do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas descobriram que os radicais livres são importantes para a capacidade de adaptação do cérebro, a chamada neuroplasticidade.

A equipe do professor Gerd Kempermann estava estudando o hipocampo, uma área do cérebro que é considerada o centro de controle do aprendizado e da memória. Novas células nervosas são criadas lá ao longo de toda a vida, mesmo na idade adulta.

"Essa chamada neurogênese adulta ajuda o cérebro a se adaptar e mudar ao longo da vida," explicou ele.

Radicais livres ajudando a plasticidade cerebral

Novas células nervosas emergem das células-tronco. "Essas células precursoras são uma base importante para a neuroplasticidade, que é como chamamos a capacidade do cérebro de se adaptar," explicou Kempermann.

O que os cientistas não sabiam até agora é que as células-tronco neurais - em comparação com as células nervosas adultas - contêm um alto grau de radicais livres, com um aumento ainda maior na concentração dos radicais nas células células-tronco prontas para se dividir.

"Isso é especialmente verdadeiro quando as células-tronco estão em um estado dormente, o que significa que elas não se dividem e não se desenvolvem em células nervosas," disse o prof. Kempermann. "As moléculas de oxigênio agem como um interruptor que coloca a neurogênese em movimento."

Os radicais livres são produtos do metabolismo normal. Os mecanismos celulares geralmente garantem que eles não se acumulem, o que é ruim porque as moléculas reativas de oxigênio causam estresse oxidativo.

"Estresse oxidativo demais pode ser desfavorável. Ele pode causar danos aos nervos e desencadear processos de envelhecimento," explicou o Prof. Kempermann. "Mas, obviamente, este é apenas um aspecto e também há um lado bom dos radicais livres. Há indícios disso em outros contextos. No entanto, o que é novo e surpreendente é o fato de que as células-tronco em nossos cérebros não apenas toleram esses níveis extremamente altos de radicais livres, mas também os utilizam em suas funções."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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