18/08/2020

Reforma do capitalismo deve dar-se sob a bandeira da liberdade, defendem pesquisadores

Redação do Diário da Saúde
Reforma do capitalismo deve dar-se sob a bandeira da liberdade
Sempre se soube que a liberdade e o autodesenvolvimento importam mais que dinheiro.[Imagem: Jill Wellington/Pixabay]

Democracia e liberdade

De acordo com uma pesquisa realizada nos EUA pelo Instituto Gallup, o socialismo tornou-se mais popular do que o capitalismo entre os democratas e os mais jovens.

O resultado, que é surpreendente por ocorrer no país considerado o centro mundial do capitalismo, e atualmente controlado por um político de direita ultraconservador, mostra que o apoio a "alguma forma de socialismo" entre os norte-americanos é hoje de 43%.

Políticas que não foram mencionadas ou foram declaradas fora dos limites nas eleições há quatro anos - como a garantia de emprego, assistência médica universal, faculdades gratuitas, aumento de impostos sobre os ricos e um esforço para viabilizar uma "economia verde" - agora são comuns nas campanhas de 2020.

No entanto, Alex Gourevitch (Universidade Brown) e Corey Robin (Universidade Cidade de Nova York) afirmam que ainda não há uma ideia clara e unificadora por trás dessa mudança política.

"Não se ouviu nada na magnitude do discurso do Clube do Estado Democrático de Franklin Roosevelt ou a história de Reagan sobre o mercado livre," escrevem os dois autores da análise.

Liberdade como bandeira política

Segundo os dois analistas, para que essas políticas de bem-estar social tenham chance de serem implementadas, elas ainda precisam de um princípio fundamental alinhavador, uma espécie de ideologia para organizar as políticas, orientar as ações, definir o objetivo e fornecer combustível para o movimento.

Eles propõem que essa ideia deve ser a liberdade.

"Enquanto a esquerda já entendeu a liberdade como a emancipação da economia, a direita passou o século XX neutralizando e se apropriando da ideia de liberdade ao reinventar a economia como o verdadeiro local da liberdade," dizem eles.

Para reivindicar a liberdade como um valor mais amplo, os dois autores acreditam que o primeiro lugar para começar é a falta de liberdade no local de trabalho.

"Em quase todos os países capitalistas, um dos principais elementos da definição legal de emprego é a subordinação à vontade de um superior. Isso pode significar que os funcionários podem ser instruídos sobre o que falar, a quem dizer, onde ficar, onde ir, como se vestir, quando comer e o que ler - tudo em nome do trabalho.

"Mas o trabalhador não é livre para deixar um chefe ruim? Falando formalmente, sim. Mas, mesmo que eles sejam livres para sair deste local de trabalho, eles não são livres para deixar de trabalhar," escrevem os autores.

Liberdade que as pessoas merecem

A reivindicação da "liberdade" dá um rótulo ao problema que um número cada vez maior de pessoas enfrenta hoje: a falta de liberdade sistêmica na economia neoliberal.

Ao enfrentar essa falta de liberdade, a esquerda pode fazer mais do que identificar, de forma coerente e coesa, a miríade de problemas que os indivíduos enfrentam atualmente. Os autores encontram as sementes dessa ideia na retórica de Bernie Sanders, candidato à presidência dos EUA, sobre ser um "organizador-chefe", e nas propostas que fortaleceriam o direito dos trabalhadores à greve e à organização.

No entanto, eles observam: "Uma verdadeira política de liberdade pressupõe uma crença na capacidade das pessoas de revisar os termos de sua existência e um compromisso com as instituições que tornam essas revisões coletivas possíveis."

Em outras palavras, a liberdade é melhor alcançada não cuidando dos nossos próprios jardins, mas por meio de um compromisso disciplinado e de um esforço coletivo em atividades como greves e política partidária. "Essas lutas democráticas não são simplesmente expressões e experiências de liberdade, embora sejam isso também. Elas são os meios para as liberdades que as pessoas merecem," defendem os dois autores.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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