|
|
|
|
|
|
||
|
|
15/07/2026 Você não nasce canhoto ou destro, defendem cientistasRedação do Diário da Saúde![]()
Cientistas reformulam o conceito de mão dominante, que seria menos um fato biológico e mais uma impressão digital da cultura humana pelo uso de ferramentas.[Imagem: Edson De la O/Santa Fe Institute]
Mão dominante A maioria das pessoas "prefere" uma das mãos, e essa mão tende a ser melhor para escrever, arremessar ou manusear ferramentas. A explicação tradicional da ciência é que essa mão dominante "nasce" mais capaz, com suas habilidades enraizadas em um hemisfério cerebral especializado no controle motor. Mas talvez seja hora de atualizar nosso saber científico. Um novo estudo argumenta que essa diferença de habilidade entre as mãos não é inata: Ela seria consequência da prática, e só se manifesta quando pegamos uma "ferramenta" - quando tentamos usar a mão para manusear algum objeto. Os pesquisadores defendem que duas ideias diferentes - preferência e dominância - estão sendo confundidas sob o termo "lateralidade". A preferência, ou seja, qual mão você instintivamente usa para a maioria das tarefas, surge antes do nascimento e tem raízes biológicas, como mostram pesquisas anteriores. Mas esta nova pesquisa centrou o foco na dominância, que é a diferença de habilidade entre as duas mãos. E as esperadas diferenças não apareceram. Preferência e dominância Em uma série de experimentos usando captura de movimento 3D, os pesquisadores compararam os dois braços de pessoas durante movimentos de alcance normais, movimentos de alcance com um peso no pulso e movimentos de alcance com uma vareta leve fixada ao antebraço. O movimento de alcance normal e o peso adicional não revelaram nenhuma vantagem clara para o braço dominante. A diferença apareceu apenas com a vareta, quando o braço não dominante teve dificuldade em controlar a trajetória curva mais complexa exigida. Um teste adicional reforçou a ideia: Quando os voluntários escreviam com os cotovelos, usando uma caneta presa ao braço, a dominância desapareceu e, com prática igual, ambos os cotovelos melhoraram igualmente, cada um terminando melhor do que a mão não dominante não treinada. "Você não prefere sua mão dominante porque ela é mais habilidosa," defende o professor John Krakauer, da Universidade Johns Hopkins (EUA). "Ela se torna mais habilidosa porque você a prefere. E você não notaria nenhuma diferença entre suas duas mãos sem ferramentas e objetos no mundo que exigem prática para serem usados corretamente." "Como os humanos são usuários e fabricantes de ferramentas excepcionalmente prolíficos, a lateralidade pode ser um subproduto da nossa inventividade. Nesse sentido a lateralidade pode ser vista como uma impressão digital da cultura humana de uso de ferramentas," completou Ahmet Arac, membro da equipe. ![]() Outro estudo já havia chegado a uma conclusão semelhante, indicando que ser destro ou canhoto é determinado pela medula, não pelo cérebro, e devido a fatores ambientais. [Imagem: Sebastian Ocklenburg et al. - 10.7554/eLife.22784] Característica emergente Estes experimentos reformulam a dominância do braço como algo que emerge ao longo da vida - habilidades construídas assimetricamente por meio da prática, em vez de serem inatas. A assimetria não estaria armazenada em um gene ou hemisfério cerebral, ela se acumularia com o uso das ferramentas que nós mesmos inventamos. É uma indicação de que mesmo uma característica aparentemente fixa, como a lateralidade, pode ser emergente, surgindo da interação entre biologia, comportamento e cultura, e não única causa fisiologicamente definida, defende a equipe. Os pesquisadores agora planejam estudar pessoas cuja preferência e prática divergem, como canhotos forçados a usar ferramentas com a mão direita, sobreviventes de AVC, cuja preferência manual muda, e amputados, que desenvolvem habilidades com efeitos não convencionais. Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br URL: A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos. |
|