28/05/2021

Síndrome pós-covid-19 pode atingir mais da metade dos pacientes

Redação do Diário da Saúde
Síndrome pós-covid-19 pode atingir mais da metade dos pacientes
Devido aos sintomas persistentes, médicos dizem que a covid-19 deve ser tratada como doença trombótica.[Imagem: Juraj Varga/Pixabay]

Covid de longo prazo

Alguns pacientes que passam pelas formas mais graves de covid-19 apresentam sintomas de longo prazo, incluindo transtornos de humor, fadiga e comprometimento cognitivo, que podem afetar negativamente o retorno ao trabalho e a retomada das atividades normais.

O fenômeno é tão marcante que já recebeu o nome de "síndrome pós covid-19", mas há também registros de referências ao fenômeno como "síndrome de covid de longa duração" e "sequelas pós-agudas de SARS-COV-2".

Pesquisadores da Clínica Mayo (EUA) foram um dos primeiros a estabelecer programas multidisciplinares para avaliar e tratar esses pacientes com síndrome pós-covid-19.

Agora eles publicaram um primeiro estudo, em que foram analisados os casos dos primeiros 100 pacientes a participar do programa.

Os pacientes foram avaliados e tratados entre 1º de junho e 31 de dezembro de 2020. A média etária era de 45 anos e 68% eram mulheres. Eles foram avaliados, em média, 93 dias após a infecção.

Síndrome pós-covid

O sintoma mais comum dos pacientes que buscaram avaliação para síndrome pós-covid-19 foi fadiga, com 80% dos pacientes no estudo relatando fadiga incomum.

Outros 59% dos pacientes apresentaram queixas respiratórias e uma porcentagem semelhante tinha queixas neurológicas.

Mais de um terço dos pacientes relatou dificuldades para realizar as atividades básicas diárias e apenas 1 em cada 3 pacientes havia retornado ao trabalho de forma irrestrita.

"A maioria dos pacientes no estudo não tinha comorbidades preexistentes antes da infecção por covid-19, e muitos não tiveram sintomas relacionados com a covid-19 suficientemente severos para requerer hospitalização," contou o Dr. Greg Vanichkachorn. "A maioria dos pacientes apresentou resultados de exames laboratoriais e de imagem normais ou não diagnósticos, apesar de apresentarem sintomas debilitantes. Esse é um dos desafios de diagnosticar a síndrome pós-covid em tempo hábil e, então, responder com eficácia."

Névoa cerebral e exames sem necessidade

Mesmo sem quaisquer indicativos nos exames, os sintomas frequentemente resultaram em efeitos negativos significativos à medida que os pacientes tentavam retornar às atividades diárias normais, como o trabalho.

"A maioria dos pacientes com os quais trabalhamos necessitava de fisioterapia, terapia ocupacional ou reabilitação cerebral para lidar com o comprometimento cognitivo percebido," disse o Dr. Vanichkachorn. "Embora muitos pacientes apresentem fadiga, mais da metade também relatou problemas com o pensamento, comumente conhecidos como 'névoa cerebral'. E mais de um terço dos pacientes tinha dificuldades com as atividades básicas. Muitos não puderam retomar sua vida profissional por pelo menos alguns meses."

Os pesquisadores ressaltam que os pacientes que se recuperarem de uma infecção aguda não devem esperar para serem avaliados se apresentarem sintomas prolongados. Contudo, o Dr. Vanichkachorn ressalta que os médicos devem ser criteriosos ao pedir exames caros, que muitas vezes não são cobertos pelo seguro-saúde e não revelam informações significativas.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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