20/12/2021

Três fatores determinam se pessoas procuram se informar ou fogem das informações

Redação do Diário da Saúde
Três fatores determinam se pessoas procuram se informar ou fogem das informações
O modelo de três fatores explicou a busca por informações melhor do que qualquer outro modelo já desenvolvido pelos cientistas. [Imagem: Christopher A. Kelly et al. - 10.1038/s41467-021-27046-5]

Por que se informar?

Você sempre busca informações que possam te ajudar a tomar melhores decisões, certo?

Talvez este seja o seu caso, mas isso não é verdade para todos: A maioria das pessoas às vezes consegue até mesmo se esquivar de alguns tipos de informações.

Agora, psicólogos descobriram que as pessoas optam por buscar ou evitar informações - sobre sua saúde, finanças ou características pessoais - com base em três elementos: (1) como elas acham que isso as fará se sentir; (2) quão útil será a informação, e (3) se a informação está relacionada a coisas nas quais elas pensam com frequência.

"Vastas quantidades de informações estão agora disponíveis para os indivíduos. Isso inclui tudo, desde informações sobre sua composição genética a informações sobre questões sociais e a economia. Queríamos descobrir: Como as pessoas decidem o que querem saber? E por que algumas pessoas buscam ativamente informações, por exemplo, sobre vacinas contra a covid, a desigualdade financeira e as mudanças climáticas, e outras não?," detalhou a professora Tali Sharot, da Universidade College de Londres (Inglaterra), que fez a pesquisa com seu colega Christopher Kelly, do Instituto Max Planck (Alemanha)

Três fatores determinam se pessoas procuram se informar ou fogem das informações
Outro estudo já havia mostrado que as pessoas não usam informações disponíveis em suas decisões.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Buscadores de informações

Os pesquisadores realizaram cinco experimentos com 543 participantes, para avaliar quais fatores influenciavam sua busca de informações.

Em um dos experimentos, os voluntários responderam a questões sobre o quanto eles gostariam de obter informações sobre sua própria saúde, como se tinham um gene de risco de Alzheimer ou um gene que lhes dá um sistema imunológico mais forte. Em outro experimento, eles responderam se queriam ver informações financeiras, como taxas de câmbio ou em que percentil de renda se enquadram. E, em um terceiro questionário, os participantes responderam se gostariam de saber como sua família e amigos os classificaram em características como inteligência e preguiça.

A maioria das pessoas se enquadrou em um de três tipos de buscadores de informação: (1) aqueles que consideram principalmente o impacto da informação sobre seus sentimentos, (2) aqueles que consideram principalmente como as informações serão úteis para sua tomada de decisões e (3) aqueles que procuram informações principalmente sobre os problemas em que pensam com mais frequência.

O fato de as pessoas buscarem informações com base na expectativa da utilidade dessas informações ou pelo fato de ser um assunto que lhes interessa é algo bastante natural e esperado, mas a evitação de informações pela expectativa de um eventual impacto emocional negativo - ou a busca de alguma informação que a faça se sentir melhor - é algo surpreendente e foge da tradicional visão dos cientistas - os economistas, por exemplo, historicamente partem do pressuposto de que as pessoas seriam totalmente racionais e analisariam todas as informações disponíveis.

Esclarecimento e educação

Conhecer o modo como as pessoas encaram as informações pode ser essencial na eficácia das comunicações e no combate a notícias falsas.

"As informações às quais as pessoas decidem se expor têm consequências importantes para sua saúde, finanças e relacionamentos. Compreendendo melhor por que as pessoas optam por se informar ou não, poderíamos desenvolver maneiras de convencer as pessoas a se educarem," disse Sharot.

"A pesquisa também pode ajudar os formuladores de políticas a decidir se as informações, por exemplo, sobre rótulos de alimentos, precisam ser divulgadas, descrevendo como avaliar completamente o impacto das informações sobre o bem-estar. No momento, os formuladores de políticas negligenciam o impacto das informações sobre as emoções das pessoas ou a capacidade de compreender o mundo ao seu redor e focam apenas em saber se as informações podem guiar as decisões," detalhou o professor Christopher Kelly.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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