06/08/2020

Vacina BCG pode estar protegendo brasileiros contra covid-19

Redação do Diário da Saúde
Vacina BCG pode estar protegendo brasileiros contra covid-19
"Nossos dados são extremamente substanciais," escreveu a equipe. [Imagem: Martha K. Berg et al. - 10.1126/sciadv.abc1463]

BCG contra covid-19

Se a vacina BCG, contra a tuberculose, não fosse obrigatória no Brasil, o número total de mortes causadas pela covid-19 seria muito maior - 14 vezes maior.

Foi o que demonstraram Martha Berg e uma equipe da Universidade de Michigan (EUA). A equipe descobriu que países que exigem a imunização contra a tuberculose apresentam número menor e crescimento mais lento de infecções e de mortes pelo novo coronavírus.

Os pesquisadores compararam a taxa de crescimento de casos e mortes de coronavírus em vários países, com base na obrigatoriedade ou não da vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), modelando diferenças entre as curvas de crescimento em países que exigiram políticas do BCG pelo menos até muito recentemente (como Brasil, Irlanda, França e Índia) e países que não (como os EUA, Itália e Líbano).

Os países com obrigatoriedade da vacina apresentaram curvas significativamente menos acentuadas na difusão e gravidade dos casos de covid-19.

A hipótese levantada pela equipe é que a BCG pode ser eficaz quando uma proporção substancial da população é resistente a um vírus.

Ou seja, a propagação do vírus pode ser mais lenta apenas quando houver "imunidade de rebanho", que impeça que o vírus se espalhe facilmente pela população, disse Martha.

Limitações

Embora o novo relatório contribua para pesquisas envolvendo vacinas contra a tuberculose, ele também tem algumas limitações; por exemplo, alguns países podem ter dados de melhor qualidade em relação ao número de casos e mortes de coronavírus do que outros. O Brasil, por exemplo, vem sendo criticado pela comunidade científica internacional depois que o Ministério da Saúde começou a limitar a divulgação dos dados e deixou de ter a participação atuante que havia apresentado no início do combate à pandemia.

Além disso, como a BCG é administrada no início da vida, não está claro se a vacinação pode ser eficaz quando administrada a adultos e nem por quanto tempo pode fornecer imunidade à covid-19.

"Também não se sabe se a BCG pode ter efeitos adversos quando administrada a pessoas já infectadas com covid-19", disse Martha. "Existe uma necessidade urgente de ensaios clínicos randomizados".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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