16/07/2026

Vacina colada no corpo evita picada e dispensa doses adicionais

Redação do Diário da Saúde
Vacina colada no corpo evita picada e dispensa doses adicionais
Vacina à base de proteína adesiva para ativação imune prolongada: Sua função imunoativadora é sustentada em comparação com as vacinas convencionais.[Imagem: POSTECH]

Não precisa de novas doses

Uma nova tecnologia de vacina proporciona proteção imunológica duradoura com uma única dose, graças ao uso inusitado de uma espécie de cola inspirada nos mexilhões - esses moluscos têm um mecanismo de adesão muito forte que funciona embaixo d'água.

A novidade está chamando a atenção da comunidade de saúde porque não apenas reduz a necessidade de revacinação, quando as pessoas precisam voltar aos postos de saúde para tomar doses adicionais, mas também pelo seu potencial de alcançar pessoas onde o acesso à vacina é difícil.

A maioria das vacinas atuais utiliza apenas uma parte dos componentes virais, o que as torna seguras, mas menos eficazes em desencadear uma resposta imunológica. É por isso que são necessárias várias doses, doses de reforço ou as atualizações, como as vacinas contra a gripe. Além disso, os componentes da vacina desaparecem rapidamente dentro do organismo, limitando a capacidade do corpo de manter uma resposta imune adequada.

Para resolver esse problema, Sukwon Jung, da Universidade de Ciência e Tecnologia Pohang (Coreia do Sul) voltou sua atenção para o mexilhão, que se fixa firmemente às rochas mesmo contra ondas fortes. Combinando as propriedades adesivas do mexilhão com um peptídeo especial que fortalece a função imunológica, Jung conseguiu criar uma "proteína adjuvante adesiva" capaz de ancorar os componentes da vacina em um local específico dentro do corpo.

Em outras palavras, o pesquisador criou uma "cola para vacinas" - a vacina fica colada no corpo, liberando seu princípio ativo por um longo período.

Vacina colada no corpo evita picada e dispensa doses adicionais
Ficando grudada no corpo, a vacina libera os componentes ativos ao longo do tempo, aumentando a duração da imunidade.
[Imagem: Sukwon Jung et al. - 10.1016/j.biomaterials.2026.124253]

Vacina de colar

A proteína adjuvante adesiva se associa ao antígeno, o componente central da vacina, formando nanopartículas e liberando lentamente tanto o antígeno quanto o próprio adjuvante, estimulando a resposta imune. Assim como uma infecção natural treina continuamente o sistema imunológico, a proteína estimula as células imunes por um longo período para induzir uma resposta imune forte e sustentada.

Como resultado, os componentes da vacina permanecem no organismo por mais tempo do que com adjuvantes convencionais, e uma única dose demonstrou produzir um efeito imunológico com duração mais de três vezes maior do que a abordagem convencional.

"Um sistema de administração de vacinas à base de proteína adesiva de mexilhão funcional apresentou excelente biocompatibilidade e pode ser produzido em massa, o que torna seu potencial para aplicação prática muito alto. Esperamos que ele reduza a necessidade de revacinação e contribua para solucionar as disparidades globais no acesso às vacinas," disse o professor Hyung Cha.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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