15/12/2020

O que você deve saber sobre segurança da vacina contra covid

Com informações da BBC
Vacina contra Covid: O que você deve saber sobre segurança
Poderão ser descobertos efeitos colaterais depois que a vacina começar a se aplicada na população. [Imagem: Pixabay]

Seguro não significa sem efeitos colaterais

Com os alertas feitos pelos cientistas sobre efeitos colaterais da vacina contra covid-19, o público muitas vezes fica sem parâmetros para compreender o que a ciência realmente tem a dizer sobre o assunto.

Acontece que, na medicina, há uma diferença importante entre "seguro" e "inofensivo", e entre "risco" e algo ser "arriscado".

Então, o que queremos dizer quando falamos sobre as vacinas contra a covid serem "seguras"?

"Se você quer dizer absolutamente nenhum efeito adverso, então nenhuma vacina é 'segura', e nenhum medicamento é 'seguro'. Todo medicamento eficaz tem efeitos indesejáveis," ressalta o professor Stephen Evans, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, ouvido pelo serviço de notícias britânico BBC.

"O que eu quero dizer com seguro é que o equilíbrio dos efeitos indesejados, em comparação com o benefício, é muito claramente a favor do benefício," completa ele.

Geralmente esses efeitos indesejados são descobertos já durante os ensaios clínicos necessários para que o medicamento seja considerado seguro, e então aprovado pelas autoridades de saúde.

No presente caso, em razão dos "prejuízos" - de saúde e econômicos - largamente conhecidos da epidemia de covid-19, as autoridades de saúde de praticamente todos os países estão optando por aprovar o uso das vacinas mesmo antes de concluídos os estudos tradicionalmente feitos, que demandam prazos mais longos. Isso significa que poderão ser descobertos efeitos colaterais depois que a vacina começar a se aplicada na população.

Riscos e danos dos medicamentos

A questão está longe de ser nova. Por exemplo, todos sabemos que existem alguns medicamentos que têm consequências verdadeiramente brutais no corpo, mas ainda assim são aprovados porque se considera que os benefícios superam os problemas.

As drogas quimioterápicas, por exemplo, têm uma lista enorme de efeitos prejudiciais, que incluem exaustão, queda de cabelo, anemia, infertilidade, problemas de memória e de sono. No entanto, quando pacientes são confrontados com a morte por um câncer, virtualmente ninguém questiona os medicamentos usados.

Outros podem ter efeitos colaterais graves que são incrivelmente raros. O analgésico ibuprofeno, que quase todos nós temos em casa e tomaríamos sem pensar, pode causar sangramento e formar buracos no estômago e nos intestinos, dificuldade para respirar e danos aos rins.

Os riscos estão lá, mas são muito superados pelos benefícios. "Segurança não é uma coisa absoluta, ele é seguro no contexto do uso," ressalta o professor Evans.

Riscos e danos das vacinas

A principal diferença com as vacinas é que elas são administradas a pessoas saudáveis, e isso muda enormemente o equilíbrio: Qualquer risco deve ser incrivelmente pequeno.

Ainda assim, é sempre possível que as vacinas tenham consequências para a saúde que ainda não ficaram claras.

Existem dados sobre cerca de 20.000 pessoas que foram imunizadas no ensaio clínico da Pfizer, 15.000 para a vacina da Moderna e 10.000 para a desenvolvida pela Oxford/AstraZeneca.

Isso foi o suficiente para mostrar que as vacinas funcionam e detectar os problemas mais comuns. Mas esses dados e testes preliminares podem não ter pego algo que afeta uma em cada 50.000 pessoas que são imunizadas, por exemplo, já que elas não foram testadas em tanta gente.

"Você nem sempre pode identificar [os problemas] antes de licenciar [as vacinas] sem um ensaio envolvendo milhões de pessoas se o efeito colateral for extremamente raro," reforçou a Dra Penny Ward, do King's College de Londres, também ouvida pela BBC.

Isso também pode ocorrer com outras vacinas. Por exemplo, a vacina da gripe sazonal tem-se mostrado associada a uma chance em um milhão de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré, embora ainda mais casos sejam causados pelo próprio vírus da gripe. E, cerca de uma em 900.000 pessoas tem reações alérgicas graves, conhecidas como anafilaxia, a uma vacina.

"Muitos de nós não pensam duas vezes antes de dirigir para algum lugar, mas o risco de um acidente de carro é muito maior do que os efeitos graves de uma vacina," ponderou a Dra Ward.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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