Descobertos aspectos genéticos da longevidade

Descobertos aspectos genéticos da longevidade
Por que somente algumas pessoas vivem mais de cem anos? Motivos econômicos e sociais à parte, o segredo pode estar no genoma.
[Imagem: Tom Ellenberger/Wikimedia]

ATENÇÃO: PESQUISA RETRATADA

Os cientistas Paola Sebastiani, Thomas Perls e seus colegas da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, autores da pesquisa relatada nesta notícia, retrataram-se dos alegados resultados - a retratação significa que os cientistas admitem falhas em seu trabalho que invalidam as conclusões. O artigo normalmente é retirado da revista científica no qual foi publicado.

"Nós sentimos que as principais descobertas científicas continuam fundamentadas [pelo estudo], mas detalhes específicos da nova análise divergem substancialmente daqueles originalmente publicados," escreveram eles.

A retratação, disponível para assinantes, foi publicada no dia 21/07/2011, na revista Science.

O Diário da Saúde mantém abaixo a íntegra da notícia original, veiculada pela Agência Fapesp, antes da retratação, com o objetivo de manter a documentação jornalística. Contudo, alertamos nossos leitores para desconsiderarem todo o seu conjunto em termos de "descoberta científica", que agora foi retirada e anulada pelos próprios autores.

Veja mais detalhes na reportagem Cientistas admitem erro em estudo genético da longevidade.

NOTÍCIA ORIGINAL - DESCONSIDERAR O CONTEÚDO

Segredos genéticos da vida longa

02/07/2010

Agência Fapesp - Por que somente algumas pessoas vivem mais de cem anos? Motivos econômicos e sociais à parte, o segredo pode estar no genoma. Cientistas acabam de descobrir uma série de assinaturas genéticas particularmente comuns em indivíduos centenários e não no restante da população.

A descoberta levanta a possibilidade de que, no futuro, as pessoas poderão saber se têm ou não o potencial de viver ainda por muitas décadas – sem levar em conta, naturalmente, o histórico familiar, fatores ambientais ou de estilo de vida, por exemplo.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição desta sexta-feira (2/7) da revista Science, também é importante para aumentar o conhecimento a respeito de como o ser humano envelhece.

Partindo da tese de que determinados genes podem estar envolvidos no processo de viver até idades mais avançadas, Paola Sebastiani, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, e colegas vasculharam os genomas de 1.055 homens e mulheres com mais de cem anos (cujos dados foram obtidos na pesquisa e em outras anteriores) e de 1.267 indivíduos mais jovens (grupo de controle).

O grupo identificou um número de marcadores genéticos que são especialmente diferentes entre centenários e indivíduos mais jovens. Os cientistas em seguida desenvolveram um modelo para calcular a probabilidade de uma pessoa atingir maior longevidade, com base em 150 polimorfismos de nucleotídeo único (marcadores genéticos) identificados pelo estudo.

O resultado foi notável. Com a ajuda do modelo, os cientistas foram capazes de estimar com 77% de exatidão se um determinado indivíduo ultrapassou ou não os cem anos. Mas os autores destacam que o modelo ainda está longe de ser perfeito.

O método poderá ser aplicado não apenas para avaliar a probabilidade de se tornar centenário, mas também no estudo de doenças relacionadas ao envelhecimento. “A metodologia que desenvolvemos pode ser aplicada a outros mecanismos genéticos complexos, incluindo doenças como Alzheimer, Parkinson, cardiovasculares e diabetes”, disse Paola.

O estudo observou que 45% dos mais velhos entre os participantes – aqueles com mais de 110 anos – tinham assinaturas genéticas com as maiores proporções de variantes associadas à longevidade entre as identificadas pelos cientistas.

Os pesquisadores dividiram as predições genéticas em 19 grupos característicos (ou assinaturas) que se correlacionam com diferentes expectativas de vida além dos 100 anos e com padrões diversos de problemas relacionados à idade, como demência, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Segundo os autores, pesquisas futuras dessas assinaturas genéticas poderão revelar padrões hoje desconhecidos a respeito do envelhecimento humano. Também poderão ser úteis para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento específicas para cada indivíduo.

O artigo Genetic Signatures of Exceptional Longevity in Humans (10.1126/science.1190532), de Paola Sebastiani e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.


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