Aumento dos preços do cigarro afasta adolescentes do vício, diz especialista

Aumento dos preços do cigarro afasta adolescentes do vício, diz especialista
Governo determinou aumento nos impostos incidentes sobre os cigarros para contrabalançar perda de receita com o IPI dos automóveis.
[Imagem: Geierunited/Wikimedia Commons]

Melhor uso do dinheiro

O aumento dos tributos sobre o cigarro pode afastar os adolescentes do fumo. A avaliação é da diretora do departamento de Psiquiatria e Psicologia do Hospital A.C. Camargo, Célia da Cosa.

Ela acredita que, como esse público dispõe de menos dinheiro, a elevação dos impostos anunciada pelo governo pode afetá-lo mais diretamente. "[O aumento na tributação] pode ser uma medida que afaste a garotada do cigarro", afirmou.

O Governo determinou o aumento nos impostos incidentes sobre os cigarros para contrabalançar a perda de receita com a diminuição do IPI sobre os automóveis, prorrogada até Junho deste ano.

Desestímulo aos novos fumantes

Para a médica, a medida é interessante para desestimular os novos fumantes. Estudo feito pelo Ministério da Saúde, em 15 capitais, nos anos de 2002 e 2003, apontou que cerca de 70% dos fumantes adquiriram o hábito entre 15 e 19 anos.

Já fumantes mais velhos, com o vício mais arraigado, têm maior propensão a desviar o dinheiro reservado para outras finalidades e usá-lo para consumir a mesma quantidade de cigarros a que estão habituados, na avaliação da especialista. "Um dos pontos negativos [do aumento da tributação] é que o fumante mais antigo pode tirar a renda familiar de outros produtos para o cigarro", observou Célia.

Cigarro ainda é muito barato no Brasil

Ela lembrou que que o impacto da medida depende também do preço inicial do cigarro. Segundo a médica, o preço do cigarro no Brasil ainda é muito baixo, se comparado a outros países. Nos Estados Unidos, um maço pode custar o equivalente a R$ 11,50, na Inglaterra, o preço chega a R$ 19 e no Brasil, fica em torno de R$3.

Célia ressaltou que, no entanto, somente o aumento dos preços dificilmente seria eficaz para desestimular o consumo, se aplicado de maneira isolada. Para ela, outras ações, como campanhas de prevenção e apoio médico aos que quiserem largar o vício, são fundamentais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o tabagismo cause, aproximadamente, 200 mil mortes por ano no Brasil.


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