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15/05/2012

Brasil terá banco de células-tronco coletadas da população

Com informações da Agência Brasil

Banco de células-tronco

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance), ligado à USP e à UFRJ, planejam criar um banco de células-tronco de pluripotência induzida.

O trabalho está sendo conduzido por uma equipe de 17 pesquisadores das duas instituições.

Ao contrário das células-tronco embrionárias, que são células-tronco humanas naturais, as células-tronco induzidas são células adultas, coletadas em alguma parte do corpo, geralmente a pele, que são induzidas artificialmente para readquirir a capacidade de formar qualquer tecido do corpo.

Brasileiros em laboratório

O banco será formado a partir de amostras de sangue coletadas pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), uma iniciativa do Ministério da Saúde que irá monitorar, com entrevistas e exames clínicos, a saúde de 15 mil pessoas ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas.

"Isso vai acabar servindo, em um futuro bem próximo, como uma população brasileira in vitro", diz a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias, Lygia Vieira Pereira, referindo-se à disponibilidade das células dos brasileiros em laboratório, uma espécie de biblioteca celular da população, pronta para estudos.

"Então, no caso de uma nova droga, antes dela ser lançada, tem que ser testada na população brasileira para ver se ela é tóxica. A gente poderia, antes de ir para as pessoas, testar nas células, na população brasileira in vitro," exemplifica a pesquisadora.

Outra utilização, prevista por Lygia, diz respeito ao próprio estudo de como se desenvolvem as doenças crônicas. "A gente pega os dados clínicos dessas pessoas e vemos quantas têm depressão. Será que a gente consegue enxergar isso nas células delas? A gente conseguiria prever que essas pessoas teriam depressão?" diz.

Reprogramação celular

Segundo a pesquisadora, as primeiras consultas ao banco de células-tronco deverão começar a ser feitas em dois ou três anos, mas o sistema precisará de pelo menos cinco anos para começar a funcionar plenamente.

Isto porque o processo de criação das células-tronco induzidas ainda não está totalmente desenvolvido, sobretudo para um trabalho em grande escala como o que se está propondo.

A técnica de reprogramação celular, que consegue transformar uma célula da pele, por exemplo, em célula embrionária, foi inventada por pesquisadores japoneses, gerando as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas.

Nesse caso, não são usados óvulos e nem embriões, partindo-se das chamadas células somativas.

Essas células podem ter vários usos não-reprodutivos. "A gente ainda não consegue fazer um fígado in vitro, mas essa célula [embrionária] consegue virar todas as células que existem em um fígado", teoriza Lygia.

Células-tronco pluripotentes induzidas

Para os especialistas, as células-tronco pluripotentes induzidas podem ser uma alternativa às clonagens reprodutiva e terapêutica, proibidas no Brasil pela Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/2005).

Essa proibição da clonagem humana abrange a transferência de um embrião para um útero com o propósito de originar um clone (clonagem reprodutiva) e o desmembramento em laboratório de células-tronco embrionárias para formar tecidos destinados a transplantes no próprio indivíduo (clonagem terapêutica).

Além dessa restrição, a lei só permite uso de embriões congelados, com autorização dos pais genéticos, até março de 2005, quando a lei foi publicada, o que faz com que o estoque de células-tronco embrionárias no Brasil seja restrito.


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