Cientistas replicam doenças em laboratório usando linhagens de células-tronco

Doenças genéticas

Um conjunto de novas linhagens de células-tronco permitirá que os pesquisadores explorem dez diferentes doenças genéticas - incluindo distrofia muscular, diabetes juvenil e Mal de Parkinson - em uma grande variedade de tipos de células e tecidos. Essas novas linhagens podem ser desenvolvidas em culturas de laboratório.

Os pesquisadores liderados pelo Dr. George Q. Daley, do Howard Hughes Medical Institute (Estados Unidos) converteram as células de indivíduos portadores das doenças em células-tronco com os mesmos erros genéticos.

Células-tronco criadas artificialmente

Essas novas células-tronco criadas artificialmente irão permitir que os pesquisadores reproduzam a formação dos tecidos humanos em laboratório como ela ocorre em indivíduos com qualquer uma das dez doenças, um avanço gigantesco sobre a tecnologia atual, baseada principalmente em estudos em animais.

Como todas as células-tronco, essas células-tronco específicas de cada doença crescem indefinidamente, e os cientistas poderão fazer com que elas se transformem em uma grande variedade de tipos de células.

Transferindo a doença do paciente para um tubo de ensaio

Cientistas replicam doenças em laboratório usando linhagens de células-tronco

"Há muito tempo os pesquisadores tentavam encontrar uma forma de transferir a doença para um tubo de ensaio, para desenvolver células que pudessem ser cultivadas em vários tipos de tecidos relevantes para doenças do sangue, do cérebro e do coração, por exemplo," diz Daley.

"Agora nós temos uma forma de fazer exatamente isso - derivar células pluripotentes de pacientes com as doenças, o que significa que as células poderão formar qualquer tecido e crescer para sempre. Isto nos permitirá modelar milhares de condições utilizando técnicas clássicas de cultura celular," completa ele.

Células coletadas diretamente de pacientes afetadas pelas doenças tipicamente têm um tempo de vida muito limitado quando cultivadas em ambiente de laboratório, restringindo o tipo de estudo nos quais elas podem ser usadas.

Substituição dos testes em animais de laboratório

Daley afirma que, em muitos casos, as novas culturas de células-tronco irão replicar as doenças humanas de forma mais confiável do que os animais de laboratório. Apesar das vastas similaridades genéticas entre o homem e os camundongos, as diferenças fisiológicas invariavelmente afetam o curso da doença em um camundongo.

Em alguns casos, o defeito genético que produz uma desordem em um ser humano - como a Síndrome de Down - não causa os mesmos sintomas em camundongos. Além disso, as culturas celulares são um complemento essencial para a pesquisa com modelos animais, diz Daley.

Reproduzindo as doenças em laboratório

A aplicação mais imediata das células-tronco específicas das doenças será reproduzir as doenças humanas em cultura para explorar seu desenvolvimento em diferentes tecidos. A técnica irá eventualmente permitir aos pesquisadores comparar como a mesma doença varia entre pessoas por meio da geração de culturas de células-tronco específicas a partir de muitos indivíduos. As células também fornecerão um campo de prova para a avaliação de medicamentos para tratamento das doenças.

A longo prazo, Daley espera que a técnica seja aplicada clinicamente. Por exemplo, ela poderá permitir que os cientistas desenvolvam terapias utilizando as células do próprio paciente - reconstruindo as células para corrigir o defeito causado pela doença e então reintroduzindo-as no organismo.

Doenças genéticas estudadas por meio das células-tronco

Os pesquisadores criaram linhagens de células-tronco específicas para a distrofia muscular de Duchenne, distrofia muscular de Becker, diabetes juvenil, Mal de Parkinson, doença de Huntington, síndrome de Down, imunodeficiência severa combinada (comumente conhecida como "doença do garoto na bolha"), síndrome de Shwachman-Bodian-Diamond (que causa falhas na medula e predisposição à leucemia), doença de Gaucher (uma doença metabólica hereditária que faz com que as gorduras se acumulem em várias partes do corpo) e síndrome de Lesch-Nyhan (uma deficiência enzimática que faz com que o ácido úrico se acumule nos fluidos corporais).

A construção de outras linhagens específicas para outras doenças também é possível com a nova técnica e é nisto que os pesquisadores estão trabalhando agora, assim como na distribuição das linhagens já elaboradas para cientistas do mundo todo.


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