Comportamento dos voluntários altera testes de medicamentos

Comportamento dos voluntários altera testes de medicamentos
Os ensaios duplo-cego não levam em consideração os efeitos que o comportamento dos pacientes voluntários, tais como dieta, estilo de vida e crença nos remédios, podem ter sobre o tratamento testado, alerta Snowberg.
[Imagem: Stephanie Diani/Caltech]

Para testar a eficácia dos novos medicamentos e de novos tratamentos, são usados ensaios clínicos.

Contudo, estes ensaios não monitoram como o comportamento humano - o comportamento dos voluntários - influencia a eficácia dessas terapias e drogas.

Assim, é chegado o momento de propor uma abordagem alternativa, capaz de rastrear as influências comportamentais humanas, defendem Erik snowberg (Caltech), Sylvain Chassang (Universidade de Princeton) e Ben Seymour (Universidade de Cambridge), em um artigo recém-publicado na revista científica PLOS One.

Ensaios controlados

Quando um novo tipo de droga ou terapia são descobertos, o padrão-ouro para avaliar sua eficácia é o chamado ensaio duplo-cego randomizado.

Esses testes, que têm sido usados há anos, foram concebidos para determinar a verdadeira eficácia de um tratamento, isento de vieses introduzidos pelos pacientes ou pelos médicos que conduzem o ensaio.

O problema é que eles não levam em consideração os efeitos que o comportamento dos pacientes voluntários - tais como dieta, estilo de vida e crença nos remédios - podem ter sobre o tratamento testado.

Uma meta-análise de seis desses ensaios clínicos, feita pela equipe, confirma que o comportamento pode ter um sério impacto sobre a eficácia de um tratamento e que os procedimentos duplo-cego atualmente utilizados não avaliam os efeitos do comportamento sobre o tratamento.

Por exemplo, um paciente que acredita nos resultados da nova droga pode aderir religiosamente a seu regime de tratamento, enquanto alguém mais cético pode pular algumas doses.

Ensaio dois a dois

Para resolver isso, os pesquisadores propõem um novo tipo de ensaio, chamado de "teste dois a dois", que pode identificar interações comportamento-tratamento.

O novo ensaio continua aplicando o tratamento aleatoriamente no modelo duplo-cego, mas também randomiza a probabilidade do tratamento, o fator que pode alterar o comportamento do paciente.

Em um ensaio dois a dois, em vez de os pacientes serem atribuídos a um de dois grupos - grupo que recebe o medicamento ou grupo de controle -, eles são selecionados aleatoriamente para um grupo de "alta probabilidade de tratamento" ou um grupo com "baixa probabilidade de tratamento".

Randomizando tanto o tratamento quanto a probabilidade de tratamento, os pesquisadores médicos podem quantificar os efeitos do tratamento, os efeitos do comportamento, e os efeitos da interação entre o tratamento e o comportamento. Determinar cada um deles, disse Snowberg, é essencial para a compreensão da eficácia global do tratamento.


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