Conselho Federal de Medicina contraria juramento médico e apoia aborto

"Somos a favor da vida, mas queremos respeitar a autonomia da mulher que, até a 12ª semana, já tomou a decisão de praticar a interrupção da gravidez."

Com este sofisma, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d´Avila, mostrou que o órgão responsável por cuidar da boa aplicação da Medicina no Brasil está disposto a rasgar o próprio juramento da profissão.

O Código de Ética Médica, que contém o juramento que todo médico deve fazer para assumir a profissão, afirma que o profissional de Medicina "jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade".

Ao apoiar o aborto, o CFM endossa não apenas autoriza "causar sofrimento físico", mas o "extermínio do ser humano" de forma cabal e definitiva.

E não de qualquer ser humano, mas de seres humanos na sua fase mais indefesa e mais misteriosa, aquela fase em que a vida que a Medicina promete defender se desenvolve com uma magia que parece fugir à possibilidade de encantamento dos nossos "profissionais da vida".

"Quem vai decidir a descriminalização do aborto é a sociedade brasileira, por meio do legislativo, o que nós fizemos foi encaminhar a nossa posição", enfatizou o presidente do CFM.

Ou seja, o órgão reconhece que não lhe cabe decidir, que este não é um assunto de sua alçada mas, mesmo assim, oferece-se para rasgar o juramento da Medicina que construiu a fé de toda a população de que, ao entregar-se aos cuidados de um médico, estará ao amparo de alguém que irá se dedicar a proteger sua vida.

A contradição da decisão é tão patente que, praticamente ao mesmo tempo, ao discutir a aplicação de técnicas de hematologia e hemoterapia, o Conselho Federal de Medicina emitiu nota à classe médica e ao público afirmando que "É vedado ao médico deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte."

Ou seja, para garantir a vida, o médico não deve se submeter aos caprichos e desejos do paciente: cabe-lhe simplesmente preservar a vida.

Mas isso não se aplica ao caso do aborto: nesse caso, basta ouvir a mulher em um dos seus momentos emocionais mais críticos, quase sempre incapaz de decidir qualquer coisa sobre o próprio futuro, para que o médico se esqueça completamente da defesa da vida e opere em favor do assassinato de um ser humano que não consegue se defender.

Igualmente de forma estranha, a Sociedade Brasileira de Bioética - que entidade que se propõe a defender a ética da vida - ofereceu-se para publicar nota apoiando a decisão do CFM. Ou seja, parece não haver a quem apelar nessa sentença de morte coletiva que determina o extermínio de inocentes.

Que razões poderiam explicar uma decisão na qual os médicos rasgam seu próprio juramento de vida? Será que o aborto pode render tantos recursos financeiros para os médicos a ponto de que o dinheiro tenha-se anteposto à defesa da vida?

Preferimos pensar que o conhecimento que esses profissionais que controlam o exercício da Medicina acreditam ter seja muito menos amplo do que eles próprios creem, e que estejam se baseando unicamente em sua ignorância sobre o que é e o que significa a vida.


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