Cientistas conseguem inibir crescimento dos cálculos renais

Cientistas conseguem inibir crescimento das pedras nos rins
Atuando diretamente sobre o crescimento dos cristais que formam as pedras nos rins, os cientistas abrem caminho para prevenir o surgimento do problema. Na imagem, cálculos renais visto sob ampliação - cada uma tem cerca de 1 milímetro.
[Imagem: Cortesia de M. Lewis/International Cystinuria Foundation]

Pedras de cistina

Um grupo interdisciplinar de pesquisadores, reunindo físicos e médicos, desenvolveu um método para reduzir o crescimento dos cristais que formam os cálculos renais de cistina.

Os resultados, publicados na última edição da revista Science, podem representar um caminho para a criação de um novo método para a prevenção das pedras nos rins.

O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de Nova York e do Medical College de Wisconsin, ambos nos Estados Unidos.

Tipos de pedras nos rins

As pedras nos rins compostas de L-cistina afetam centenas de milhares de pessoas todos os anos, ainda que em um número menor do que aquelas que sofrem com as pedras de oxalato de cálcio monohidratado.

Mas as pedras de L-cistina são maiores, repetem-se com mais frequência e são mais propensas a causar doença renal crônica. Os tratamentos atuais para esta doença produzem resultados, mas muitas vezes têm efeitos secundários adversos.

A formação das pedras L-cistina é uma consequência de níveis excessivos de L-cistina na urina. A L-cistina acaba formando cristais, que se agregam em pedras, chegando a até um centímetro de diâmetro.

Os tratamentos preventivos contra a formação de pedras de L-cistina, como o de diluição através de uma grande ingestão de líquidos, podem retardar, mas não impedir completamente, a formação da pedra.

Alguns medicamentos podem reagir com a L-cistina, gerando compostos mais solúveis, mas esses medicamentos podem causar efeitos colaterais adversos, como náuseas, febre, cansaço, alergias na pele e hipersensibilidade.

Com tantas limitações dos tratamentos atuais, os pesquisadores sonham em reduzir a formação e o crescimento dos cristais de L-cistina, eliminando o problema pela raiz.

Crescimento do cálculo renal

Usando um microscópio de força atômica (AFM), que permite a observação de objetos do tamanho de moléculas individuais, os pesquisadores descobriram que os cristais de L-cistina crescem fixando continuamente moléculas de L-cistina às margens de suaves colinas em forma de hexágono na superfície do cristal.

Este processo resulta em um cristal que cresce seguindo um padrão em espiral.

Sabendo como esses cristais crescem, os cientistas puderam então selecionar agentes químicos para inibir o processo de cristalização.

O crescimento de cristais pode ser alterado através do uso de inibidores de crescimento específicos. Estes inibidores reduzem o ritmo de cristalização ligando-se à superfície dos cristais, impedindo a adição de novas moléculas em sua superfície.

Prevenção das pedras nos rins

Neste estudo, os pesquisadores usaram um agente sintético, chamado L-CDME, que é estruturalmente idêntico à L-cistina em seu centro, mas é equipado com diferentes grupos moleculares nas extremidades, que impedem a agregação de moléculas de L-cistina à superfície do cristal.

Os cientistas tiveram o mesmo sucesso com a introdução de um outro agente sintético similar, o L-CME.

"Isto poderá levar a uma nova abordagem para a prevenção dos cálculos renais de cistina, simplesmente interrompendo sua cristalização," explicou Michael Ward, um dos autores do estudo. "Além disso, estes resultados são um exemplo dos avanços significativos que podem ser alcançados através de colaborações entre pesquisadores em ciências físicas e na medicina."


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