Dados científicos básicos sobre aterosclerose estão errados

Crenças científicas

Os esforços dos médicos para combater as placas da aterosclerose, que se acumulam nas artérias e podem causar ataques cardíacos e derrames, estão baseados em várias "evidências científicas" que agora se mostraram falsas.

A revelação estarrecedora foi feita pela equipe do professor Gary Owens, da Universidade da Virgínia (EUA), em um artigo publicado na renomada revista Nature Medicine.

Segundo a equipe, as "crenças falsas" sobre a composição fundamental e a formação das placas ateroscleróticas vão forçar os cientistas a reavaliarem os tratamentos, descartando algumas de suas suposições básicas sobre a aterosclerose, vulgarmente conhecida como endurecimento das artérias.

Músculo liso

Até agora, os cientistas acreditavam que as células do músculo liso - as células que ajudam na contração e dilatação dos vasos sanguíneos - eram os mocinhos na batalha do corpo contra a placa aterosclerótica. As pesquisas indicavam que essas células migrariam para as paredes dos vasos sanguíneos, retardando o acúmulo de gordura e destruindo os componentes da placa dura da aterosclerose.

A nova pesquisa revela que essas noções são lamentavelmente incompletas, na melhor das hipóteses, porque os cientistas erraram grosseiramente no cálculo do número de células musculares lisas no interior das placas.

As novas observações mostraram que as técnicas usadas até agora não conseguem identificar 82% dessas células. Mais importante, estando presentes em tão grande número, elas parecem ser parte integrante da própria placa aterosclerótica - em vez de mocinhos, elas provavelmente fazem parte do "bando".

"Oitenta e dois por cento das células musculares lisas nas lesões ateroscleróticas avançadas não podem ser identificados usando a metodologia típica, uma vez que as células da lesão sub-regulam os marcadores das células do músculo liso. Dessa forma, temos subestimado quantas células musculares lisas estão na lesão," explicou Owens.

De volta ao laboratório

Segundo a equipe, isto mostra que o papel das células do músculo liso na aterosclerose é muito mais complexo, nada parecido com o quadro preto-no-branco pintado até agora.

Serão elas boas ou más? O que fazer com os tratamentos que tentam encorajar sua formação?

A questão é ainda mais complicada pelo fato de que o estudo mostrou que algumas células musculares lisas estavam sendo identificadas erroneamente como células imunológicas chamadas macrófagos, enquanto algumas células derivadas dos macrófagos foram confundidas com células musculares lisas.

Agora, inúmeras equipes de cientistas ao redor do mundo deverão voltar praticamente à estaca zero, inicialmente reavaliando os tratamentos oferecidos aos pacientes e novos medicamentos em desenvolvimento, além de fazer novos esforços de pesquisa básica para tentar entender melhor os fatores que realmente contribuem para a aterosclerose e aqueles que ajudam o corpo a defender-se dela.


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