Drogas opioides: especialistas apontam falta de evidências científicas

Remédios sem eficácia comprovada

Um estudo dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) encontrou "pouca ou nenhuma evidência" para a alegada eficácia das drogas opioides usadas no tratamento das dores crônicas a longo prazo - apesar do explosivo crescimento recente no uso dessas drogas.

O relatório final do painel de sete especialistas revela que muitos dos estudos usados para justificar a prescrição dessas drogas ou foram mal conduzidos ou tiveram duração insuficiente.

"Isto torna o uso disseminado desses medicamentos surpreendente," disse o Dr. David Steffens, presidente do departamento de Psiquiatria da Universidade de Connecticut e um dos autores do estudo. Quando se trata de dor a longo prazo, diz ele, "não há nenhuma evidência baseada em pesquisas científicas de que estes medicamentos sejam úteis."

Mas, apesar disso, as receitas de medicamentos opioides (também conhecidos como medicamentos opiáceos; os dois termos são tecnicamente distintos, mas a maioria dos médicos utilizam-nos como sinônimos) mais do que triplicaram nos últimos 20 anos, com mais de 219 milhões de receitas em 2011 só nos EUA.

Abuso dos opioides

Ao mesmo tempo, o abuso dessas drogas também disparou, levando alguns especialistas a se referir a uma "epidemia de abuso das prescrições" das drogas opioides. Um outro estudo, publicado ao mesmo tempo mas realizado de forma independente, concluiu que a "prevalência do vício em opioides começou a disparar com a prescrição a longo prazo de opioides para dores crônicas, uma prática encorajada pelos fabricantes de opioides (Kolodny et al., 2015).

Mais de 16.000 pessoas morreram de overdose de opioides em 2012, de acordo com os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos, e as overdoses de drogas já causam mais mortes que os acidentes de carro entre pessoas com idades entre 25 e 64 anos, aponta o painel de especialistas.

O Dr. Steffens observa que um dos grandes desafios em lidar com esta questão é o fato de que as drogas opioides são claramente um tratamento eficaz para algumas pessoas com dores crônicas, sendo difícil prever onde os problemas vão surgir. Parte desse problema, ele aponta, é a necessidade de uma melhor comunicação sobre as melhores práticas para os médicos que estão prescrevendo essas drogas.

"Existem certas síndromes, como a fibromialgia, onde os opiáceos são menos propensos a serem eficazes e os pacientes são mais propensos a ter problemas com o abuso," aponta o Dr. Steffens.

Desvio de medicamentos

Outro problema, tanto para os pacientes, quanto para a sociedade em geral, é que os comprimidos que saem das farmácias nem sempre acabam nas mãos das pessoas para as quais foram receitados.

Ao lado do excesso de receitas feitas pelos médicos, a venda ou doação para terceiros - que os especialistas chamam de "desvio" - dos remédios comprados com receita foram apontadas como um fator-chave no aumento do abuso das drogas opioides.


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