O que os anticoncepcionais causam no cérebro e ossos das adolescentes?

Anticoncepcionais para adolescentes

A gravidez na adolescência caiu para níveis mínimos no mundo ocidental, em grande parte graças ao aumento do uso de contraceptivos de todos os tipos.

Mas, estranhamente, nós realmente não sabemos o que os contraceptivos hormonais - das pílulas às injeções que contêm hormônios sexuais sintéticos - estão causando nos corpos e cérebros em desenvolvimento das adolescentes que os estão tomando em níveis crescentes.

Assim como as pílulas anticoncepcionais - no mercado há mais de 50 anos - os demais métodos contraceptivos passaram por inúmeros testes, que atestaram sua eficácia e segurança.

Ocorre que esses estudos foram feitos em mulheres adultas - pouquíssimos estudos clínicos incluíram adolescentes. E, biologicamente há uma grande diferença entre uma adolescente e uma mulher adulta.

Efeitos dos anticoncepcionais na adolescência

É somente depois dos 20 anos que os hormônios se estabilizam e o cérebro e os ossos atingem a maturidade.

"Se uma droga vai ser dada a meninas de 11 e 12 anos de idade, ela precisa ser testada em crianças de 11 e 12 anos de idade," explica o Dr. Joe Brierley, da Comissão de Ética Clínica do Hospital Great Ormond de Londres.

Legislações introduzidas nos EUA em 2003 e na Europa em 2007 destinam-se a fazer com que isso aconteça, mas uma investigação feita pela revista britânica New Scientist revelou que ainda há poucos dados sobre o que os contraceptivos realmente causam para as garotas em desenvolvimento.

Os poucos estudos que têm sido feitos sugerem que alterar o equilíbrio do estrogênio e da progesterona durante este período da vida pode ter efeitos de longo alcance, embora ainda não haja dados suficientes para dizer se devemos ficar alarmados.

Dilema moral

Há muitas razões pelas quais as empresas farmacêuticas, as pessoas e as organizações de financiamento continuem relutantes em testar contraceptivos em adolescentes.

A médica Andrea Bonny, por exemplo, envolvida nesses testes, afirma receber cartas iradas quando ela publica anúncios procurando participantes jovens para seus estudos, com muitas pessoas afirmando que ela está incentivando as adolescentes a terem relações sexuais: "Nós somos inundados com comentários negativos," diz ela.

Outro aspecto é que, quando crianças participam em ensaios clínicos, os pais devem dar o seu consentimento. Mas as adolescentes podem não querer contar a seus pais que estão tomando anticoncepcionais.

Assim, o problema existe, mas resolvê-lo está longe de ser uma questão simples.


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