Estimulação mantém reflexo da natação em bebês

Estimulação mantém reflexo da natação em bebês

[Imagem: USP]

Reflexo de nadar em bebês

Uma pesquisa realizada com bebês de até um ano de idade revelou que a estimulação mantém o reflexo de nadar. "A medida interrompe o processo gradual de perda que ocorre próximo aos quatro meses de idade em crianças que não são colocadas na água e estimuladas com certa freqüência", explica o professor universitário Ernani Xavier Filho, que apresentou um estudo sobre o tema na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.

Falta de estimulação

Até pouco tempo, ainda não era muito claro o que causava a perda do reflexo de nadar nos bebês após o quarto mês de idade. Algumas hipóteses apontavam para falta de força ou maturação do Sistema Nervoso Central e órgãos motores da criança antes de um ano de idade, período a partir do qual os bebês voltam a ter maior controle sobre os movimentos dentro da água. Outras associavam a incapacidade à falta de estimulação, mas nenhum experimento ainda havia sido feito com vistas a comprovar esta idéia.

Para confirmar a última hipótese, Xavier submeteu um grupo de oito bebês à estimulação de uma série de movimentos na piscina, duas vezes por semana, durante seis meses. Foi estimulado o controle da respiração, para que não engolissem água e também ficassem mais tempo embaixo d'água; o controle da postura (capacidade de manter a posição de barriga para cima ou para baixo, sem realizar mudanças muito bruscas); mergulho ventral; braçadas alternadas e pernadas alternadas.

"Um outro grupo de crianças foi formado para controle. Neste caso, os bebês eram colocados na água apenas uma vez a cada 15 dias, sem serem estimulados a executar os movimentos feitos pelo grupo experimental", explica o professor. Os bebês de ambos os grupos passaram por uma checagem do estado de saúde antes do experimento, e a pesquisa também foi autorizada previamente pelo comitê de ética da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Manutenção da competência

Assistindo às imagens filmadas nas sessões dos dois grupos e comparando-as, foi observado que os bebês do grupo experimental continuaram a executar os movimentos após os quatro meses de idade, mantendo as competências motoras adquiridas em treinamento. O grupo de controle, ao contrário, perdeu muitas dessas competências após os quatro meses de idade, só readquirindo os movimentos do nadar apenas após o primeiro ano de vida.

Este resultado põe em cheque a teoria segundo a qual a perda do reflexo de nadar dos bebês se daria pela imaturidade do sistema nervoso e falta de força muscular para realizar as manobras aquáticas descritas antes de um ano de idade.

Exercício para qualquer idade

Além de recomendar a natação para bebês como um exercício saudável e por seu caráter lúdico, o professor do curso de Educação Física da UEL destaca que os pais perceberam melhora no apetite e no sono dos bebês - embora tais relatos tenham sido feitos informalmente, e não investigados experimentalmente. Outra observação interessante feita na pesquisa foi perceber que bebês que mamam no seio por mais tempo são capazes de manter o bloqueio da respiração quando mergulhados, até aproximadamente os oito meses de idade.

"Alguns médicos não recomendam a natação para bebês, talvez por desconhecimento, associando o contato que têm com crianças com problemas como a otite aos mergulhos. Na verdade, não há nenhuma contra-indicação desta atividade para bebês saudáveis, e os próprios pais podem realizar as manobras na água, desde que previamente orientados por um profissional"


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