Pessoas fogem de informações que contestam seus pontos de vista

Evasão de informações: Como as pessoas selecionam sua própria realidade
As pessoas parecem ter perdido a capacidade de dialogar e conviver com seus próximos que discordam politicamente delas.
[Imagem: Carnegie Mellon University]

Evasão de informações

Evitar que as pessoas mergulhem em suas próprias bolhas de informação, atendo-se àquelas que confirmem seus pontos de vista, pode ser mais difícil do que se pensava.

De fato, parece que temos um talento especial para a evasão de informações, que usamos para selecionar nossa própria realidade.

De acordo com a equipe do professor George Loewenstein, da Universidade Carnegie Mellon (EUA), este pode ser um modo bastante geral de encarar a vida: Tendemos a selecionar nossas próprias realidades evitando deliberadamente informações que acreditamos ameaçar nossa felicidade ou nosso bem-estar.

É por isso que as pessoas escolhem a fonte de notícias que se alinha com suas opiniões políticas, evitando ver opiniões e pontos de vista contrários. E pessoas que estão fazendo dieta igualmente preferem não saber as calorias de sua sobremesa.

Fugindo das informações

Os estudos feitos pela equipe de Loewenstein mostram que, embora simplesmente não querer ouvir outras ideias ou pontos de vista seja o caso mais claro de "evitação de informações", as pessoas têm uma ampla gama de outras estratégias de evasão de informações à sua disposição.

Por exemplo, nós somos muito hábeis em dirigir nossa atenção seletivamente para a informação que reafirma aquilo em que acreditamos ou que reflete favoravelmente nossas crenças e opiniões, e em esquecer as informações que desejaríamos que não fossem verdadeiras.

Para aferir a força e a validade dessas estratégias, a equipe selecionou para seus experimentos com voluntários um assunto sobre o qual as pessoas normalmente são muito sensíveis: seu próprio bolso.

Evasão de informações: Como as pessoas selecionam sua própria realidade
Além das bolhas de informação que isolam os usuários entre aqueles que pensam de forma parecida, os especialistas têm-se preocupado em como juntar liberdade de expressão, mídias sociais e verdade.
[Imagem: Juandavo/Wikimedia]

"A consideração padrão sobre as informações em economia é que as pessoas devem procurar informações que ajudem na tomada de decisões, nunca devem evitar ativamente as informações e devem atualizar suas visões de forma desapaixonada quando encontrarem novas informações válidas.

"Mas as pessoas muitas vezes evitam as informações que poderiam ajudá-las a tomar melhores decisões se acham que receber aquela informação pode ser doloroso. Professores ruins, por exemplo, poderiam se beneficiar do feedback dos alunos, mas eles são muito menos propensos a checar suas classificações do que os professores melhor qualificados," explicou Loewenstein.

Polarização política

Os resultados têm impacto direto na questão que mais tem chamado a atenção de psicólogos e sociólogos em todo o mundo: a crescente onda de polarização política, em que as pessoas parecem ter perdido a capacidade de dialogar e conviver com seus próximos que discordam politicamente delas.

"Se quisermos reduzir a polarização política, temos de encontrar formas não só de expor as pessoas a informações conflitantes, mas de aumentar a receptividade das pessoas à informação que desafia aquilo em que elas acreditam e querem acreditar.

"Uma implicação da evasão das informações é que não nos envolvemos efetivamente com aqueles que discordam de nós. Bombardear as pessoas com informações que desafiam suas crenças tão acalentadas - a estratégia normal que as pessoas empregam nas tentativas de persuasão - provavelmente irá gerar mais evitação defensiva do que um processamento receptivo," disse David Hagmann, coautor do estudo.


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