Exercícios de força e potência trazem resultados parecidos

Exercícios de força e potência trazem resultados parecidos
Erguer com impulso pesos leves pode aumentar a força e os músculos tanto quanto levantar lentamente cargas pesadas.
[Imagem: Ag.USP]

Leve e rápido versus pesado e lento

Pesquisas da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, feitas com jovens e idosos, mostram que erguer com impulso pesos leves pode aumentar a força e os músculos tanto quanto levantar lentamente cargas pesadas.

Para ganhar massa muscular, as academias recomendam treinos de força - a pessoa precisa erguer lentamente um peso de 70% do peso máximo que consegue levantar em algumas séries de 4 a 12 repetições. Esse tipo de treinamento é adotado pelos fisiculturistas.

A prática é consolidada porque muitos estudos comprovam que ele traz ganhos de força e hipertrofia (crescimento dos músculos). As academias não prescrevem treinos de potência, em que a pessoa ergue o mais rápido possível 30% a 60% do peso máximo e o número de repetições varia de 4 a 8.

Treinos de força e treinos de potência

Contudo, as pesquisas da EEFE mostraram que treinos de potência trazem resultados parecidos com os treinos de força.

Nos jovens que fizeram o treino de potência, a espessura das fibras musculares aumentou em média 14% e a força, 17% . Nos que fizeram o treino de força, o aumento foi de 24% e 22%, respectivamente.

A expressão dos genes que comandam a hipertrofia, ou crescimento, das fibras musculares foi semelhante nos dois grupos.

Já os músculos dos idosos que fizeram o treino de potência aumentaram 3,9% em média, e o peso máximo que eles conseguiram levantar aumentou em 33,8%. Nos que fizeram o treino de força, os músculos aumentaram 5,5% e a força 42,7%. As quantidades estão "tecnicamente empatadas" - estatisticamente, elas não são diferentes.

Hipertrofia muscular

Os dados com idosos foram obtidos em 2008 pela educadora física Lilian Walerstein e, com jovens, em 2006, durante o mestrado do bacharel em esporte Leonardo Lamas.

Lilian submeteu 56 idosos a exercícios por 16 semanas, e Leonardo, 29 jovens, por 12 semanas. Lamas retirou, com uma agulha, amostras de fibras musculares dos jovens para avaliar o seu crescimento. Já Lilian utilizou a ressonância magnética para avaliar a hipertrofia. Essa técnica mostra imagens dos músculos e tem uma precisão muito maior.

"Pode ser que em longo prazo haja diferenças nos resultados dos treinamentos", informa Carlos Ugrinowitsch, orientador de Lilian. "Mas em curto prazo houve similaridades".

Aumento das fibras musculares

Com o exercício, as fibras musculares, feitas de proteínas, aumentam de volume. Isso acontece por que a tensão nas fibras ativa a síntese de novas proteínas dentro do músculo.

A pesquisa mostra que mais de um estímulo pode ser responsável por essa síntese de proteínas. "O recomendado pode não ser a única opção", explica Ugrinowistch.

"O corpo pode chegar ao mesmo lugar por diferentes caminhos". Ele informa que alguns estudos mostraram ganhos de força similares entre os dois tipos de treino. "Mas não conheço nenhum que mostre hipertrofia parecida", diz ele.


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