Feijão orgânico tem produtividade acima do esperado

Produtividade do feijão orgânico

Seis variedades de feijão cultivadas no sistema orgânico apresentaram excelente produtividade em experimento realizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba.

Em média, os cultivares renderam 3.500 quilos de feijão por hectare, acima do nível considerado como boa produção, que é de 2.500 quilos por hectare. A maior vantagem do plantio orgânico é a nao utilização de agrotoxicos e preservação da saude do trabalhador e do consumidor.

Normas para o cultivo orgânico

A produção orgânica segue normas estabelecidas por entidades de certificação, conta a agrônoma Jaqueline Camolese de Araújo, que realizou a pesquisa. "São permitidos insumos fertilizantes como a farinha de chifre, fonte de nitrogênio, o sulfato de sódio e o termofosfato, entre outros", diz. "O controle de pragas e doenças é feito com liberação de inimigos naturais das pragas e produtos como o óleo de Neem, extraído da árvore Azadirachta indica".

O experimento aconteceu na fazenda Areão, na área experimental do Grupo de Agricultura Orgânica Amaranthus, em Piracicaba (interior de São Paulo), pertencente a Esalq. Ao todo, foram cultivadas quatro variedades do grupo Carioca (BRS Pérola, BRS Aporé, IAC Votuporanga e IAC Juriti) e duas do grupo Preto (IAC Tunã e BRS Valente). "Existem três épocas para plantio de feijão: seca, águas e inverno", explica Jacqueline. "Na pesquisa, o cultivo foi realizado na época do inverno com irrigação, com algumas variedades sendo colhidas em julho e outras já em agosto".

Todas as variedades pesquisadas se mostraram aptas ao sistema orgânico, apresentando excelente desempenho. "O rendimento médio estimado foi de 3.500 quilos de feijão por hectare", afirma a agrônoma. "Normalmente, considera-se uma boa produção quando se obtém acima de 2.500 quilos por hectare". O único problema com pragas foi o da vaquinha (Diabrotica speciosa), um besouro que foi controlado com óleo de Neem.

Variações regionais

A principal vantagem do cultivo orgânico é a não utilização de agrotóxicos, que podem colocar em risco a saúde dos agricultores e do consumidor final. "A procura pelo feijão orgânico no mercado é muito grande, especialmente na cidade de São Paulo", observa a pesquisadora. "Entretanto, o preço ainda é cerca de 30% superior ao do feijão cultivado de forma convencional, pois a produção é insuficiente para atender a alta demanda".

De acordo com a engenheira agrônoma, muitos agricultores ainda têm receio de adotar o cultivo orgânico "Eles encontrarem dificuldades para obter assistência técnica especializada", alerta. Os resultados do experimento são válidos para as condições naturais da região de Piracicaba. "Nessa área, por exemplo, chove pouco entre julho e setembro, o que reforça a necessidade de irrigação", comenta Jacqueline. "Em outras regiões, há a necessidade de experimentos específicos para se verificar as variedades mais adequadas".

Pesquisas na área de agricultura orgânica

A pesquisadora ressalta que os estudos na área de agricultura orgânica apresentam grande potencial de crescimento. "Existem vários trabalhos sobre hortaliças, especialmente em São Paulo, mas a maior parte dos experimentos de avaliação de cultivares está relacionada a variedades de soja, existentes na região Sul do Brasil", aponta. "Ainda há muito o que pesquisar nessa área".

A pesquisa com o feijão orgânico foi orientada pelo professor Antonio Luiz Fancelli, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq. Os resultados foram apresentados na dissertação de mestrado da engenheira agrônoma, que aconteceu em agosto do ano passado.


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