Cientistas constroem glândula pituitária em laboratório

Cientistas constroem glândula pituitária em laboratório
Os cientistas afirmam que este é um passo decisivo rumo à criação de outros órgãos mais complexos, incluindo coração e rins.
[Imagem: Yoshiki Sasai/RIKEN]

Pituitária artificial

Em um feito histórico, cientistas japoneses criaram uma glândula pituitária artificial.

Implantado em um camundongo, o órgão artificial cumpriu adequadamente suas funções.

Os cientistas afirmam que este é um passo decisivo rumo à criação de outros órgãos mais complexos, incluindo coração e rins, ainda que a glândula criada em laboratório ainda não cumpra todas as funções de uma glândula natural.

Pituitária, ou hipófise

A glândula pituitária, ou hipófise, é uma verdadeira fábrica de hormônios.

As respostas ao estresse, o uso de energia pelo corpo, o crescimento do indivíduo e até o comportamento sexual são regulados por sinais que se originam nessa glândula.

A hipófise tem o tamanho de uma ervilha e está localizada próxima à base do crânio.

Glândula parcial

Yoshiki Sasai e seus colegas do Instituto Riken usaram células-tronco embrionárias de camundongos para formar a parte anterior da glândula pituitária.

Quando implantada em um camundongo, a glândula "artificial", ou sintética, produziu o hormônio do estresse, chamado corticotropina.

A pituitária natural possui células de diversos tipos, capazes de produzir vários tipos de hormônios.

Receita de glândula

A criação da glândula sintética exigiu o desenvolvimento de dois tipos de tecidos ao mesmo tempo.

As células-tronco de camundongo primeiro foram usadas para criar um tipo de tecido chamado ectoderma, que é o precursor do sistema nervoso.

Elas também formaram um tipo de tecido que aparece no hipotálamo, uma região do cérebro que fica próximo à hipófise e está envolvido na regulação da temperatura corporal, da fome e da sede.

Os dois tipos de tecidos se organizaram espontaneamente em camadas, com o tecido do hipotálamo por baixo e o ectoderma por cima.

Conforme as células do ectoderma se multiplicavam, essa camada se tornou mais espessa e começou a "abraçar" o conjunto todo, formando uma espécie de bolsa.

Finalmente, as células produtoras do hormônio corticotropina começaram a se desenvolver ao redor da bolsa, criando a glândula pituitária.

Os cientistas alertam que não compreendem ainda o processo de formação da bolsa, um processo não-induzido, que ocorreu espontaneamente.

Transplante de pituitária

Transplantes da glândula pituitária em seres humanos não são exatamente promissores porque os hormônios que ela produz já estão disponíveis na forma de medicamentos, o que é muito menos arriscado do que uma tentativa de transplante em uma região tão delicada.

Contudo, a pesquisa é promissora ao apontar para a possibilidade real de construção de órgãos completos em laboratório, um dos grandes objetivos da chamada biologia sintética.


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