Hanseníase tem cura

Depois de milênios de preconceitos e isolamentos, não é admirar que muitas pessoas não saibam que a hanseníase tem cura.

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, conhecida no passado como lepra.

Causada pelo bacilo de Hansen, manifesta-se por lesões de pele com alteração de sensibilidade e comprometimento neurológico.

A hanseníase tem cura e, logo no início do tratamento, os riscos de transmissão da doença são baixíssimos, porque os bacilos se tornam inviáveis pela alta sensibilidade ao esquema de medicamentos utilizados.

Transmissão da hanseníase

A transmissão da hanseníase acontece por contato prolongado ou intenso de indivíduos suscetíveis com pacientes não tratados, especialmente no ambiente domiciliar.

Desta forma, é importante que familiares e pessoas próximas ao doente procurem um posto de saúde para avaliação. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de lesões de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos, acompanhado de alteração de sensibilidade.

É importante não estigmatizar o paciente acometido pela hanseníase, a doença pode ocorrer em qualquer idade, raça ou gênero. Ela tem baixa letalidade e baixa mortalidade e, o mais importante, tem cura.

No Brasil, a doença diminuiu 41% na última década, mas a hanseníase entre crianças e adolescentes assustou o governo.

Tratamento da hanseníase

O tratamento prevê administração de seis a 12 doses de acordo com normas da Organização Mundial de Saúde com duração de seis meses a um ano e meio, em regime ambulatorial, sendo previsto internação nos episódios reacionais graves.

No Brasil, todo o tratamento pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde a medicação é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde.

Quando o diagnóstico é precoce e o tratamento seguido adequadamente, com orientações de autocuidado para prevenir incapacidades, geralmente a hanseníase não apresenta complicações, nem deixa sequelas. Já o diagnóstico tardio favorece o aparecimento de complicações relacionadas ao poder imunogênico da alta carga bacilar com reações de dois tipos:

Tipo I: Também chamado reação reversa. Ocorre, mais frequentemente, em pacientes com hanseníase tuberculoide e dimorfa (pólo PB). Caracteriza-se por eritema e edema das lesões e/ou espessamento de nervos, com dor à palpação dos mesmos (neurite). Lesões na face e lesões com troncos nervosos subjacentes (ex: cotovelo, tornozelo) devem ser monitoradas. A neurite pode evoluir sem dor (neurite silenciosa).

Tipo II: A manifestação clínica mais frequente é o eritema nodoso hansênico, que se caracteriza por nódulos eritematosos, dolorosos, em qualquer parte do corpo, mas o acometimento sistêmico é frequente (febre, edemas, adenomegalias, queixas reumatológicas, orquite, irite/ iridociclite). Os pacientes com hanseníase virchowiana e dimorfos avançados são os mais acometidos.


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