Humanização da Medicina deve ser meta permanente, dizem pesquisadores

Humanização da Medicina deve ser meta permanente, dizem pesquisadores
Para os estudiosos, na relação com o paciente é imprescindível que as práticas ou tecnologias empregadas venham acompanhadas do contato com o paciente, através da empatia, compreensão e escuta, no seu processo de reabilitação.
[Imagem: Fiocruz]

Medicina humanizada

Cuidar é um conceito que tem diversas definições.

No campo da medicina, significa mais do que tratar a doença.

É também dialogar, motivar e tratar cada paciente como um todo, considerando o conjunto de suas necessidades e peculiaridades.

Luiz Antonio Santos (UERJ) e Lina Faria (Universidade Gama Filho) estão propondo a humanização do cuidado como meta presente na atividade do profissional de saúde.

"A força da medicina humanizada e integral dependerá, no futuro próximo, da capacidade dos profissionais médicos de alcançar o cuidar do doente, e não apenas da doença, como valor primordial para a atenção no processo saúde/doença", ressaltam.

Toque humano

Segundo os estudiosos, a perda de prestígio do clínico e a imposição do mundo da técnica e do fazer impessoal aos profissionais de saúde têm provocado o distanciamento entre eles e seus pacientes, prejudicando a adoção de uma medicina integral e humanizada.

Eles apontam que, embora esteja perdendo espaço no mundo atual, o toque humano contribui efetivamente para a cura do paciente, como relatado nos casos de Aids nos anos 80.

"Os depoimentos de doentes terminais expressavam justamente o apreço pela 'mão que cuida' das equipes de enfermagem e visitadoras voluntárias, que marcavam sua presença de um modo diferente da equipe médica e de especialistas", relatam os estudiosos.

Burocracia da saúde

A relação hierárquica entre profissionais no mundo do trabalho, principalmente nos grandes complexos hospitalares, também contribui para a falta de envolvimento com o paciente.

"Cabe-nos refletir sobre a dualidade constitutiva da formação do campo da enfermagem. Tudo indica que a separação entre o auxiliar que cuida e o enfermeiro que administra ou exerce posições de chefia terá de ser reavaliada", advertem os estudiosos.

"A manutenção do vínculo direto entre enfermagem e pacientes está em questão e não pode ser perdida ou se perderá com ela o compromisso com valores comuns, como o apreço pelo toque humano, o sentido de respeito, confiança e obrigação moral que deve prevalecer no interior da enfermagem e da profissão médica", alertam.

Para a superação do dilema entre gestão e cuidado, os estudiosos enfatizam a necessidade de debates que proponham caminhos alternativos e que ocorram, sobretudo, em cursos de formação de profissionais.

"O cuidado tem sido por não poucos, particularmente pelos alunos, avaliado como atividade menor diante da atividade supostamente superior da gestão hospitalar ou da gestão de recursos humanos de saúde", revelam.


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