Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

06/05/2016

Infecção de pernilongos com bactéria reduz transmissão do zika

Com informações da Fiocruz

Wolbachia contra zika

Uma pesquisa inédita da Fundação Oswaldo Cruz constatou que a bactéria Wolbachia reduz a transmissão do vírus zika através do mosquito Aedes aegypti.

O artigo, publicado na revista Cell Host & Microbe, é o primeiro estudo científico a comprovar que a bactéria, já usada para tentar reduzir a propagação da dengue, também tem eficácia contra o zika.

Desde 2014, a Fiocruz testa os mosquitos infectados com a bactéria como uma técnica para tentar conter a dengue que é diferente dos mosquitos transgênicos.

Vírus na saliva

O pesquisador Luciano Moreira conta que a nova experiência de laboratório mostrou que os mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia perdem a capacidade para transmitir o zika.

"Mostramos isso fazendo o seguinte experimento: tínhamos mosquitos que estavam infectados [com zika], divididos em dois grupos: com Wolbachia e sem Wolbachia. Depois de duas semanas, coletamos a saliva dos mosquitos dos dois grupos e a injetamos em mosquitos sadios, que nunca haviam visto o vírus [zika]. Quando a saliva tem origem nos mosquitos com Wolbachia, a gente não consegue fazer infecção nos mosquitos [sadios], mostrando que a Wolbachia bloqueou a transmissão do vírus", disse.

Nenhum dos 80 pernilongos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus zika. Por outro lado, 85% dos mosquitos que receberam saliva de Aedes sem Wolbachia ficaram infectados.

Capacidade de infecção

O estudo foi além: os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 20 Aedes aegypti com Wolbachia e de 20 Aedes aegypti sem Wolbachia que receberam sangue infectado com a cepa do zika isolada de Pernambuco. Esta coleta aconteceu 14 dias após a ingestão do vírus, período em que o patógeno já teria se espalhado completamente pelo organismo do inseto e chegado à glândula salivar, de onde ele passa à pessoa que é picada.

O objetivo era demonstrar o percentual de vírus que conseguiria chegar até este estágio, momento em que o Aedes se torna capaz de transmitir o vírus. Aqui, mais um resultado animador: em 55% dos mosquitos com Wolbachia não havia positividade para o vírus zika.

"Na natureza, ao picar um indivíduo infectado, o mosquito também se infecta. O vírus, então, irá percorrer um longo caminho por todo o corpo do inseto até chegar à glândula salivar. Alcançar um resultado que demonstra que mais da metade dos Aedes com Wolbachia sequer apresentarão zika na saliva, caso sejam infectados, reforça ainda mais o potencial de utilização em larga escala que esta estratégia apresenta", ponderou Luciano.

O uso de mosquitos com a bactéria Wolbachia, criados em laboratório para o controle de doenças, está sendo testado em duas localidades do Rio de Janeiro: na Ilha do Governador, na zona norte da capital, e em Jurujuba, em Niterói. O projeto aguarda mais financiamento para se expandir.


Ver mais notícias sobre os temas:

Vírus

Bactérias

Epidemias

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Dor de cabeça: Conheça aquelas que exigem tratamento

Vacina contra dengue pode fazer mais mal que bem em alguns locais

Os muitos mitos sobre as Dores nas Costas

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão

Carne vermelha todo dia faz mal? Especificamente que mal?