Infecção de pernilongos com bactéria reduz transmissão do zika

Wolbachia contra zika

Uma pesquisa inédita da Fundação Oswaldo Cruz constatou que a bactéria Wolbachia reduz a transmissão do vírus zika através do mosquito Aedes aegypti.

O artigo, publicado na revista Cell Host & Microbe, é o primeiro estudo científico a comprovar que a bactéria, já usada para tentar reduzir a propagação da dengue, também tem eficácia contra o zika.

Desde 2014, a Fiocruz testa os mosquitos infectados com a bactéria como uma técnica para tentar conter a dengue que é diferente dos mosquitos transgênicos.

Vírus na saliva

O pesquisador Luciano Moreira conta que a nova experiência de laboratório mostrou que os mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia perdem a capacidade para transmitir o zika.

"Mostramos isso fazendo o seguinte experimento: tínhamos mosquitos que estavam infectados [com zika], divididos em dois grupos: com Wolbachia e sem Wolbachia. Depois de duas semanas, coletamos a saliva dos mosquitos dos dois grupos e a injetamos em mosquitos sadios, que nunca haviam visto o vírus [zika]. Quando a saliva tem origem nos mosquitos com Wolbachia, a gente não consegue fazer infecção nos mosquitos [sadios], mostrando que a Wolbachia bloqueou a transmissão do vírus", disse.

Nenhum dos 80 pernilongos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus zika. Por outro lado, 85% dos mosquitos que receberam saliva de Aedes sem Wolbachia ficaram infectados.

Capacidade de infecção

O estudo foi além: os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 20 Aedes aegypti com Wolbachia e de 20 Aedes aegypti sem Wolbachia que receberam sangue infectado com a cepa do zika isolada de Pernambuco. Esta coleta aconteceu 14 dias após a ingestão do vírus, período em que o patógeno já teria se espalhado completamente pelo organismo do inseto e chegado à glândula salivar, de onde ele passa à pessoa que é picada.

O objetivo era demonstrar o percentual de vírus que conseguiria chegar até este estágio, momento em que o Aedes se torna capaz de transmitir o vírus. Aqui, mais um resultado animador: em 55% dos mosquitos com Wolbachia não havia positividade para o vírus zika.

"Na natureza, ao picar um indivíduo infectado, o mosquito também se infecta. O vírus, então, irá percorrer um longo caminho por todo o corpo do inseto até chegar à glândula salivar. Alcançar um resultado que demonstra que mais da metade dos Aedes com Wolbachia sequer apresentarão zika na saliva, caso sejam infectados, reforça ainda mais o potencial de utilização em larga escala que esta estratégia apresenta", ponderou Luciano.

O uso de mosquitos com a bactéria Wolbachia, criados em laboratório para o controle de doenças, está sendo testado em duas localidades do Rio de Janeiro: na Ilha do Governador, na zona norte da capital, e em Jurujuba, em Niterói. O projeto aguarda mais financiamento para se expandir.


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