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18/08/2015

Câncer não necessariamente tem origem genética

Redação do Diário da Saúde
Descoberto mecanismo não-genético do câncer
A descoberta representa um grande avanço para a Medicina porque esclarece um mecanismo desconhecido até agora e não detectado pelas análises genéticas. [Imagem: University of Leeds]

Proteínas ligadas ao câncer

O câncer pode ser causado exclusivamente por desequilíbrios de proteínas dentro das células, sem qualquer alteração genética.

Esta descoberta histórica representa um grande avanço para a Medicina porque, até agora, as aberrações e mutações genéticas eram vistas como a principal causa de quase todos os cânceres.

A pesquisa demonstra que o desequilíbrio proteico é uma poderosa ferramenta de prognóstico, indicando se pacientes são ou não propensos a responder à quimioterapia e se há risco de que um tumor se espalhe para outros locais do corpo, a chamada metástase.

Os resultados também abrem a possibilidade de novas terapias focadas na medição e prevenção de desequilíbrios perigosos nas células.

Câncer não genético

"Houve um enorme investimento no sequenciamento do genoma humano com a ideia de que, se conseguíssemos toda a informação genética relevante, poderíamos prever se você tem uma predisposição ao câncer e, em última instância, usar uma abordagem baseada em medicina de precisão para desenvolver uma abordagem terapêutica. Nosso estudo demonstra que a triagem genética sozinha não é suficiente," disse o professor John Ladbury, da Universidade de Leeds, coordenador do estudo.

A pesquisa concentrou-se sobre a "rota Akt", uma via de sinalização dentro das células que impulsiona a formação de câncer e a disseminação dos cânceres através do corpo - a análise foi feita com células do câncer de ovário.

Sob condições normais, as células recebem sinais externos através de um receptor na parede celular, o FGFR2. Como resultado deste estímulo o receptor é "ligado" dentro da célula. Isto resulta no recrutamento de proteínas de sinalização e a iniciação da rota Akt, que é responsável por induzir a célula a se proliferar.

Em algumas células cancerosas, esta via fica permanentemente ligada. A abordagem convencional para o diagnóstico deste câncer seria procurar modificações genéticas do receptor (ou das proteínas recrutadas), que poderiam ser responsáveis por manter o estado ligado da rota, levando à proliferação descontrolada das células e a consequente formação do tumor.

O novo estudo analisou células cancerosas isoladas sem estimulação externa e descobriu que a rota Akt pode ser ativada sem modificações genéticas. Duas proteínas, Plc-γ 1 (Plc gama 1) e Grb2, competem pela ligação com o receptor FGFR2. A concentração relativa destas proteínas irá decidir qual delas se ligará. Quando Plc-γ 1 prevalece, ela aciona a Akt. Deste modo, um desequilíbrio no valor das duas proteínas pode conduzir à proliferação celular e à formação do câncer.

Ponto de vista do paciente

Dados estatísticos revelaram que quase 40% dos pacientes com um equilíbrio favorável das proteínas continuavam vivos sete anos após a coleta das amostras. E menos de 10% dos pacientes com níveis elevados de Plc-γ 1 e locais de ligação FGFR2 sobreviveram no mesmo período de tempo.

"Do ponto de vista do paciente, as conclusões-chave são que estas proteínas são biomarcadores. Elas poderiam oferecer informações aos clínicos sobre quem vai se beneficiar da terapia e, igualmente importante, que não irá se beneficiar. No lado do tratamento, a interação das proteínas poderia ser um alvo terapêutico válido: você poderia, por exemplo, alvejar a Plc-γ 1 para garantir que ela não sobrecarregue a célula," disse o professor Ladbury.

A equipe agora está trabalhando para estudar os mesmos mecanismos em outras formas de câncer. Eles também estão explorando a possibilidade de que outros receptores celulares possam desempenhar um papel semelhante ao do FGFR2 na manutenção da sinalização oncogênica sem eles próprios serem ativados.

Os resultados foram publicados na revista Oncogene, do grupo Nature.


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