Memórias servem como ferramenta para aprendizado e tomada de decisão

Lembrando de aprender

Quando aprendemos alguma coisa, nosso cérebro relaciona as novas informações com experiências passadas para ganhar novos conhecimentos.

Esse entrelaçamento entre memórias e conhecimentos futuros foi explicitado em um artigo publicado na edição deste mês da revista científica Neuron.

O estudo mostra que este processo de ligação com as memórias passadas permite que as pessoas compreendam melhor os novos conceitos e tomem decisões futuras.

A descoberta poderá levar a melhores métodos de ensino e a novos tratamentos de doenças neurológicas degenerativas, como a demência.

Reativação de memórias

Os pesquisadores descobriram que os indivíduos que reativavam memórias relacionadas ao analisar pares de imagens foram capazes de fazer associações entre os itens individuais apesar de nunca terem visto as duas imagens juntas.

"Este é apenas um exemplo simples de como nosso cérebro armazena informações que vão além dos acontecimentos exatos que vivemos," afirma Alison Preston, professora de psicologia e neurobiologia da Universidade do Texas (EUA).

"Combinando eventos passados com novas informações, somos capazes de derivar novos conhecimentos e antecipar melhor o que esperar no futuro," diz ela.

Durante as tarefas de aprendizagem, os pesquisadores foram capazes de identificar as regiões cerebrais que trabalham em conjunto durante o processo vinculativo da memória com o novo aprendizado.

Eles descobriram que o córtex pré-frontal hipocampal-ventromedial é essencial para a ligação de memórias reativadas com a experiência atual.

Além da reflexão sobre o passado

"As memórias não servem apenas para refletirmos sobre o passado; elas nos ajudam a tomar as melhores decisões para o futuro," afirma Preston. "Aqui, nós documentamos um link direto entre essas memórias derivadas e a capacidade de fazer novas inferências."

No estudo, foram mostradas aos participantes vários pares de imagens compostas de elementos diferentes (por exemplo, um objeto e uma cena ao ar livre).

Cada uma das imagens emparelhadas podia reaparecer em outras apresentações - a imagem de uma mochila emparelhada com a imagem de um cavalo poderia aparecer depois ao lado de um campo, por exemplo, permitindo criar uma associação entre mochila, cavalo e campo.

Os pesquisadores usaram essa estratégia para ver como os entrevistados mergulhariam nas memórias recentes ao processar novas informações - e nem todos criam essa associação.

Usando um equipamento de ressonância magnética funcional (fMRI), os pesquisadores conseguiam acompanhar a atividade cerebral conforme as pessoas acompanhavam as apresentações das imagens, documentando o que era diferente entre as pessoas capazes de se valer das memórias passadas para estabelecer novos vínculos a partir dos "novos acontecimentos", ou seja, das imagens subsequentes.


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