Cientistas querem reduzir morte de bebês recém-nascidos

Cientistas querem reduzir morte de neonatos
"Apesar dos avanços ocorridos na tecnologia de suporte de vida, cerca de 65% das mortes de crianças até um ano de idade ocorrem no período neonatal."
[Imagem: Ag.USP]

Neonatos

Um grupo de pesquisadores da Escola de Enfermagem da USP está buscando alternativas para reduzir a mortalidade dos neonatos, bebês de zero a 28 dias de vida.

Os pesquisadores, coordenados pela professora Amélia Fumiko Kimura, estão estudando formas de controlar a dor no pós-operatório, cuidados nos tratamentos que envolvem acessos venosos e no desenvolvimento de modelos de atendimento aos recém-nascidos e suas mães.

"Apesar dos avanços ocorridos na tecnologia de suporte de vida, cerca de 65% das mortes de crianças até um ano de idade ocorrem no período neonatal", atesta a professora.

Cirurgias e injeções

Os estudos desenvolvidos pelo grupo priorizam três focos temáticos.

O primeiro diz respeito ao controle da dor de neonatos no pós-operatório e em outros procedimentos invasivos.

A segunda abordagem se relaciona ao tratamento dispensado pelos profissionais de enfermagem aos recém-nascidos com relação aos acessos venosos. "Há um vácuo de conhecimento no que diz respeito aos tipos de dispositivos intravenosos para administração dos medicamentos, que proporcionam maior segurança e conforto aos neonatos, mas que demandam capacitação dos profissionais para o seu adequado manejo".

O terceiro foco de investigação se refere à avaliação do impacto da implementação de modelos de atendimento ao recém-nascido, como o Hospital Amigo da Criança e o Método Canguru. Esses modelos têm como objetivo, respectivamente, incentivar o aleitamento materno e o estabelecimento de maior contato entre mãe e filho.

Dor nos bebês

A pesquisadora Mariana Bueno estudou a avaliação da dor e intervenções analgésicas farmacológicas e comparou o efeito analgésico da oferta oral de glicose 25% com o leite materno.

O resultado mostrou efeito superior da glicose 25% em relação ao leite materno.

Entretanto, "vale ressaltar que não se deve descartar a oferta desse leite como medida analgésica. Além disso, a administração do líquido associado a outra medida analgésica ainda deverá ser objeto de futuros estudos", afirma a professora Amélia.

A exposição do neonato à dor, em especial os que permanecem internados em unidade de terapia intensiva neonatal por tempo prolongado, tem sido objeto de preocupação dos profissionais de saúde do mundo todo.

Vulnerabilidade

A forma como a população neonatal é tratada repercute em seu desenvolvimento e crescimento.

"Os neonatos são considerados de maior vulnerabilidade entre os humanos e, por isso, estudos sobre eles devem ser ética e clinicamente analisados visando evitar expô-los a quaisquer riscos. Assim, desenvolver pesquisas que envolvam recém-nascidos é uma tarefa desafiante", conclui a professora.

O grupo está estabelecendo projetos em parceira com pesquisadores de outras instituições brasileiras e internacionais para aprimoramento das pesquisas e criação de protocolos para tratamentos dos neonatos.


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